ERNESTO RODRIGUES, PREMIADO PELO PEN CLUBE

No passado dia 21 de novembro, foram entregues, na sede da Sociedade Portuguesa de Autores, em Lisboa, os prémios PEN. O PEN Clube existe em Portugal desde 1978 e promove a liberdade de expressão e os valores humanistas.  Esta prestigiada instituição que já galardoou autores como Agustina Beça Luis, José Saramago e David Mourão Ferreira, entre outros, este ano, distinguiu o nosso conterrâneo, Ernesto José Rodrigues.
Após uma breve sessão de Boas Vindas com leitura de mensagens do presidente da SPA, José Jorge Letria e do Ministro da Cultura, Luis Castro Mendes, foram os presidentes dos juris, convidados a exporem, com brevidade, as razões da escolha. Teresa Martins Marques, membro honorário da Academia de Letras de Trás-os-Montes, brindou-nos com uma brilhante exposição sobre o Manual de Cardiologia de Fernando Pinto do Amaral; Helena Barbas enalteceu a genialidade, modernidade, complexidade e multiplicidade narrativa do escritor de Torre de D. Chama.
Ernesto foi o único dos laureados a dirigir-se aos amigos, colegas, admiradores, editores  e discípulos que compunham a assistência eterogénea e com larga representação social “desde a política, ao Supremo Tribunal de Justiça, desde o Instituto Gulbenkian de Ciência, ao Governo da Nação”, nas palavras do romancista. Brindou os presentes com uma recensão clara, didática e erudita da obra premiada, não esquecendo as fundações familiares e mostrando o enorme humanismo e sensibilidade da sua escrita que, à data da sua elaboração, prenunciava o drama premente e dilacerante da crise dos refugiados que já pressentia, mesmo quando ainda não se previa. Uma Bondade Perfeita mergulha-nos num complexo e perverso universo contemporâneo de onde apenas uma bondade extrema (“uma bondade perfeita, absoluta, tal que nenhuma violência ou imposição nos possa forçar a ser maus”) nos poderá resgatar e salvar.
 
O autor de “A Casa de Bragança” é o Diretor do CLEPUL (Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias) e membro da Academia de Letras de Trás-os-Montes de que foi fundador juntamente com o saudoso mirandês Amadeu Ferreira.
Durante a sua presidência a Academia atravessou um período de intensa e rica atividade cultural com a edição dos dois volumes da coletânea Terra de Duas Línguas e a celebração de vários acordos de parceria com congéneres nacionais e internacionais que lhe conferiram um elevado prestígio. Num gesto altruísta e revelador de grande desprendimento perante os interesses da coletividade, antecipou as eleições para o novo mandato, em três semanas, para afastar a disputa interna, do ruído da campanha eleitoral autárquica que se avizinhava. Sudedeu-lhe na direção da ALTM, Amadeu Ferreira tendo o escritor mirandelense sido eleito para a presidência da Assembleia Geral, cargo que desempenhou com elevado sentido de responsabilidade. Como sinal indelével de ambos os mandatos, ficou a sua atuação democrática, promotora da liberdade de expressão, respeitadora de todas e quaisquer opiniões, sabendo ouvir todos os associados sem qualquer distinção. Foi grande o seu empenho em unir os escritores nordestinos, semear a concórdia, promover a harmonia, fomentar as diferenças de opinião e a todos respeitar nas suas singularidades e características.
É este o maior “espólio” que ficou como marca de água desta Academia singular e bilingue!