A Escola em Izeda!...

Quando, por vezes, ouvimos políticos e cidadãos com responsabilidades institucionais falar, até elaboradamente discursar, referindo que é importante e um dever cívico conter despesas, racionar os “gastos”, ficamos com a ideia de que o bom senso impera e a coisa pública, a boa prática da economia gera. Só que, na realidade, constatamos inúmeros casos em que os interesses individuais, ou mesmo municipais, se sobrepõem, deliberada e injustificadamente, aos desejos locais/regionais e vantagens transversais, sobretudo na vertente educativa, pedagógica e formativa.
Quando ouço políticos do interior, por vezes ressabiados, criticando o centralismo de Lisboa ou do Porto, fico até algo incomodado. Não porque a razão não lhes assista. Mas, sobretudo, porque aquilo que pomposamente apregoam, quando lado reivindicativo, acabam por evidenciar precisamente o contrário quando do lado governativo. Ou seja, quando estão administrar a sua “quinta”, olhando para o seu umbigo. Nessa posição de domínio, não se preocupam minimamente com o interesse público e territorial mais global. Dá ideia que mais importante que o bem-estar geral, inter-regional ou mesmo nacional, são os votos pessoais, e nada mais. Ou seja, mantendo poder pessoal, tantas vezes caciquista, sem que o bem dos vizinhos do lado para eles tenha grande sentido, o mesmo exista, como se o território, a gestão dos recursos e o interesse das pessoas, das crianças, ou dos jovens, devesse ser gerido de forma hermética, egocêntrica, sem uma visão pedagógica adequada e confortavelmente desejada.
Vem isto a propósito da Escola de Izeda e da falta de alunos, situação que preocupa o autarca local. Entendo e percebo as suas preocupações. Mas estas não são só suas, nem são atuais. São, ou deviam ser, de toda a região, transversalmente. Subscrevo-as, porque as entendo perfeitamente. Até porque ali frequentei o Ensino Preparatório (E.P.S.A), antigamente. Como frequentaram muitos outros daquela região, mesmo das localidades das quais os estudantes deslocados para Macedo de Cavaleiros, passando em Izeda, agora são.
Obviamente, que não concordo com esta gestão geográfica do ensino. Nem aceito esta forma de estar dos autarcas envolvidos, que me parece terem uma visão “egoísta”, não se preocupando pedagógica e afirmativamente com os superiores interesses do ensino e da formação. Penso que se tratará de um caso em que as estruturas governamentais deveriam intervir. Por várias razões.
Todavia, sendo certo que, a continuar assim, o fecho da escola será inevitável, porque funcionalmente inviável, convenhamos que este assunto já devia ter sido preventivamente acautelado há muito tempo. E aqui não me parece que esteja, apenas, em causa a postura da autárquica macedense. Haverá outros responsáveis. A começar pelos autarcas da vila nas últimas duas décadas. Por mais importância que tenha e lhe reconheço naquela zona, Izeda não pode dinamizar-se convenientemente se não cultivar uma relação inclusiva e positivamente motivadora com as freguesias vizinhas. E, neste contexto, outros autarcas locais, circunvizinhos, têm uma palavra. Sem dúvida.
Ora, se Izeda serve freguesias, quer do concelho de Bragança, quer de Macedo, no âmbito do Centro de Saúde, Farmácia, Bombeiros Voluntários, Centro Social Paroquial (Lar), entre outros serviços, porque razão não acontece em relação o ensino?!... Se não tivesse existido em Izeda, muitos jovens daquela região não teriam acesso aos estudos e a vida deles seria atualmente bem diferente