Estranhas estranhezas

José Manuel Fernandes é um homem do norte e deputado europeu. Tem-se dedicado a promover e divulgar o norte de Portugal nomeadamente Minho e Trás-os-Montes editando e distribuindo um anuário “Pela Nossa Terra” a que vem associada uma agenda que envia para as Câmaras Municipais. No dia 29 de Julho passado foram distribuídos, em Reunião de Câmara de Moncorvo exemplares da agenda do eurodeputado. Nessa mesma reunião foi incubida a vereadora Piedade Meneses de reclamar junto do autor a inclusão, no referido documento, das festas e romarias moncorvenses. A Terra do Ferro não foi liminarmente excluída pois vem, tal como os restantes concelhos do Reino Maravilhoso, devidamente referenciada e caracterizada. Terá havido uma falha no que respeita ao tema apontado. Mesmo reconhecendo que o eurodeputado não tem especiais obrigações para com Moncorvo, entende-se como natural e lógico o respetivo protesto já que ao referir as festas e romarias de todo um território esta informação deveria ser total e exaustiva.
 
Se em vez de uma agenda for uma larga reportagem (mais de cinquenta páginas e uma centena de fotografias) totalmente dedicadas a Moncorvo, a sua terra e as suas atividades e dela forem excluídas várias freguesias na sua totalidade, se essa reportagem tiver como origem de informação a Câmara que é quem posteriormente a divulga e promove, também será natural e lógico que alguém originário do território excluído, proteste. Se juntamente com a referida peça promocional for divulgada uma entrevista ao Presidente da Câmara que abre a sua intervenção, afirmando que os limites geográficos do concelho são o rio Sabor e o rio Douro (https://www.youtube.com/watch?v=V9ifrzGu4GY&feature=youtu.be), ao verificar que a exclusão acontece precisamente fora dessa “mesopotâmia”, estranho seria se ninguém protestasse!
Mas também foi estranho verificar que houve quem se indignasse com o protesto.
Mais estranho ainda foi constatar que nenhum dos Presidentes de Junta dos territórios esquecidos manifestou o seu incómodo com esta injusta e injustificada discriminação.
 
A revista Passear publicou no seu formato digital uma reportagem, com chamada à capa, sobre Torre de Moncorvo (https://issuu.com/editora_lobodomar/docs/passear53vg/1  págs. 17 a 69) em que a informação relevante é totalmente creditada à Câmara Municipal e onde é apresentada “A Visão da Autarquia”.
Num concelho predominantemente agrícola e que conta com uma enorme parcela do fertilíssimo Vale da Vilariça, não se entende como é possível apontar como exemplo hortícola o lugar de Nabais na Açoreira. Curiosamente, a freguesia da Horta é, aliás, uma das excluídas. Tal como a Lousa, o Castedo, a Adeganha e a Cardanha! A que acrescem as aldeias anexas de Nozelos, Junqueira, Póvoa, Estevais, Vide e Cabanas de Cima.
 
O protesto que fiz e reitero é genuinamente contra a discriminação e exclusão. Mas, obviamente, foi temperado e ganhou maior emoção por se encontrar neste grupo, Junqueira, a minha aldeia natal e a quase totalidade da minha querida Vilariça.