A EXULTAÇÃO DA CRISE - RICARDO

 
Quando demos por ela, ele estava a rir-se sozinho. Ria, ria, ria e sem se aperceber, quase de boca fechada, o Ricardo Araújo Pereira fazia rir os outros com gargalhadas tão silenciosas que só algumas pessoas se partiam a rir.
Estamos perante um génio da inteligência do riso e nem precisa mostrar os incisivos. É claro que para fazer caretas é quase imprescindível abrir os lábios, mas o mínimo tempo como ele faz. O gesto pode substituir as gargalhadas. É de boa educação comer com a boca fechada, mas quando rimos à brava temos de mostrar a brancura do esmalte e os lábios dançam com aberturas e fechos engraçados. Rir dá saúde e alegra o corpo e a alma. O nosso maior comediante e humorista (assim o classifico) tem no sangue as propriedades mais adequadas e mostra todos os dias que durante a noite deve estar a criar, a criar, a criar para de dia dar a conhecer os “sonhos”. É humorista, é artista no palco, é escritor, é locutor, é apresentador, é músico, é eu sei lá!
Consegue inventar o impossível e o “seu” MEO patrão tecnológico deve estar felicíssimo com o génio que conseguiu para promover os seus produtos infindáveis. O Ricardo usa discretamente a metáfora, que é a rainha das figuras de estilo, dela derivando as outras, até a denotação. Lembrem-se da “mixórdia de temáticas” e do “Governo Sombra,” que aparecem e desaparecem às temporadas, para estarem quase sempre na mente dos ouvintes (Rádio Comercial) e dos telespectadores (TVI).
As caretas que faz fá-las para as câmaras, para os microfones, no palco, e os ouvintes fazem o trabalho menos infecundo: difundem para toda a parte a inteligência da criatividade profunda, graciosa e inteligente. Ele brinca com tudo, principalmente com ele mesmo. Auxilia os enfermos de espírito, excita publicidade, participa em obras de solidariedade, também ganha rios de dinheiro nos muitos trabalhos (publicitários) encomendados e criados, faz shows de arromba e até já foi cosmonauta?
Será que já alguém o viu triste? Sério sim, mas com um sorriso que no mínimo é implícito. Diz muitas mentiras mas de forma tão subtil e malandreca que as pessoas entendem a verdade das mesmas. Brinca com quase tudo, mas a política é a área que permite mais reparos, mais calúnias, mais poucas-vergonhas, mais desastrosas gestões, mais podridão, enfim, quase só aspectos negativos, muito propícios à “tareia” do nosso humorista, que diz muitas mentiras com sabor a verdades.
 P.S.  (texto inócuo, de opinião pessoal).