Falou o Álvaro

O falante é o Senhor Doutor Álvaro dos Santos Pereira, académico da Universidade de Vancouver (cidade entusiasmante), agora director na OCDE, antigo ministro da Economia, o qual ao assumir a pasta ficou conhecido por ter espantado o motorista ao pedir-lhe para simplesmente ser tratado por Álvaro. O pedido dele entrou na categoria de chiste, só os miméticos e desconhecedores dos Padrões de Cultura * em uso na Lusitânia tentaram implantar risonha norma.
Ele vinha do Canadá, estava habituado a transportar a pasta, a sugestão dada ao motorista provocou risos de charamela nos restaurantes onde entrava e, grudou-se ao nível da má-educação nos balcões de debate televisivos, às vezes de forma chocante ao contemplarmos serigaitas demasiado expeditas a tratarem por Eduardo, Francisco, José ou Manuel pessoas que têm idade para serem avós das raparigas cheias de rópia.
Pois bem, o ilustre economista concedeu distendida entrevista à RTP – 3 abordando rem reticências pontos focais da governação passista, defendeu o rigoroso castigo dos envolvidos nas fraudes financeiras, deixou indicações sobre a desmesura no desbaratar de centenas de milhões de euros. Desbaratar é como quem diz, foram engrossar os pecúlios dos tubarões dos negócios a operarem na opacidade dos gabinetes, fura-vidas, furadíssimos no esbulho do dinheiro que somos obrigados a pagar, acrescido de juros e demais alcavalas.
O também reputado conselheiro reiterou a mágoa de não ter tido tempo para completar várias reformas visando o combate aos interesses, esqueceu as críticas interessadas de Pires de Lima (substituiu-o), mas não esqueceu, antes pelo contrário, reiterou a condenação da atitude de Paulo Portas na célebre borrasca estival.
O Senhor Álvaro não mudou de parecer sobre o agora facilitador Portas, os prosélitos portistas de Conrado têm guardado prudente silêncio, dada a amplitude mediática da entrevista seria interessante ouvir as explicações do visado e as exclamações dos apaniguados. A acusação – simplista na forma, forte no conteúdo – não deve ser lançada no caixote do lixo, justifica amplo comentário, desta forma o faço.
Aos cortesãos de Passos Coelho não adianta torcerem a orelha, não adianta soprarem nesta altura a trombeta da social-democracia, a par de outros o clamoroso erro a desculpar o Paulinho que não da viola, sim das feiras levou à perda de 700.000 votos. Esta a verdade, pura e dura. Os íntimos de Passos não quiseram peneirar as causas da sopa fria pretexto a afastar o Professor Marcelo de Portas, adoram as tecer e esfiapar intrigas ao redor das mesas do Comilão, estudam pouco, soltam trocadilhos de reduzido efeito e assim vão vivendo risonhos até ao dia do despedimento.
Esta entrevista irá produzir pouco custos na conta de credibilidade de Portas na ágora da discussão política, há outros e donos de piores currículos no tocante a fiabilidade, no entanto, noutros círculos a apreciação do ex-ministro conta e será sempre recordada quando convier a quem nesse dia soprar o vento. Ainda é cedo no desbravar mato a propósito deste episódio, o ora director da OCDE faz bem em se manter no quadrado do estudo das incertezas e do aconselhamento. O Sr. Portas irrevogável possui memória, tem amigo e conhece a mistela servida fria. E, não estou a referir-me à ta sopa! Enquanto o antigo ministro é bom garfo, o antigo director do Independente é frugal.