FEIRA MEDIEVAL O PREÇO E A FORMA

 
 
A propósito de algumas intervenções minhas sobre este tema foram várias as pessoas que me foram avisando que a minha opinião não era partilhada pela maioria das pessoas em Moncorvo e que a minha insistência provocaria uma diminuição considerável na minha suposta popularidade. Paciência. Nem sempre as verdades são maioritariamente aceites e não me movo por critérios de agrado popular. Pelo contrário, entendo que é precisamente quando a verdade que tenho e que fundadamente professo vai contra a corrente do mainstream que é importante ou mesmo necessário afirmá-la, divulgá-la e, obviamente, explicá-la. O tema é a Feira Medieval que a Câmara de Moncorvo insiste em promover recorrendo a um "enlatado" com o objetivo de a fazer ter relevo e distinção no "panorama nacional das feiras medievais"!  Que fique muito claro que, nada me move contra a representação histórica, muito menos com a celebração do passado, muito pelo contrário! O que eu entendo é que a recreação dos tempos idos, sendo legítima e útil não pode ser feita a qualquer preço nem de qualquer forma!
Comecemos pois pelo primeiro dos dois vetores que quero canalizar para a minha análise: o custo. Não é fácil ter um valor exato e fiel do montante dispendido pelos cofres autárquicos neste evento anual. A minha tarefa seria muito facilitada se no município já estivesse implementada a Contabilidade de Custos (ou Contabilidade Analítica como é vulgarmente conhecida) de acordo com o que a Lei determina, o Tribunal de Contas insistentemente impõe e pela qual tanto me bati na Assembleia Municipal. À falta deste mecanismo legal e mandatório terei de me socorrer, para os custos indiretos, de cálculos aproximados que poderão, obviamente ter erros, para mais ou para menos.
Tomemos como exemplo a mais recente edição da Feira, a de 2017. O propósito assumido de fazer com que a de 2018 "fique para a história" leva-me a ter conforto suficiente para garantir que a minha análise não pecará por excesso. Os custos diretos não apresentam quaisquer dificuldades nem serão motivo de qualquer contestação. Uma consulta ao portal da Contratação Pública revela que por conta da festividade em apreço foram, a exemplo dos anos anteriores, contratados, por ajuste direto, serviços no valor toatl de 78.000 euros a duas empresas de organização de eventos.
Para os custos indiretos, à falta de outra metodologia mais exata, recorrerei a usarei método dedutivo com base em pressupostos meus, dos quais resultarão valores apenas aproximados facto pelo qual me penitencio. Em 2017, uma semana antes do evento em apreço, telefonei para a Câmara para obter informações necessárias à reunião seguinte da Assembleia. Após várias e insistentes tentativas consegui falar com alguém que me aconselhou a telefonar na semana seguinte pois naquela “toda a gente da Câmara estava a tratar da Feira Medieval”. Efetivamente na semana seguinte foi fácil. Uma semana custa à Câmara em custos de pessoal mais de 50.000 euros e em consumos associados não será exagerado estimar 10.000. É a Câmara que elege este evento como o mais importante em termos turísticos e por isso será natural que gaste perto de 30.000 euros a promovê-lo, dos 85.000 que dedica à publicidade. Será demasiado estimar em mais 10.000 euros os materiais aplicados na execução e instalação das estruturas de madeira?
 
Fosse esta uma promoção singular e identificadora do concelho, das suas tradições, do seu passado singular, das suas características únicas e identificadores e não poderíamos falar de custos, mas sim de investimento. Mas assim, claro que não.
Não me atrevo a sugerir aplicações alternativas para estas quase duas centenas de milhar de euros, mas não duvido que muitos munícipes tenham!