Fumar dá que pensar!...

Esclareço que sou, inequivocamente, contra o consumo tabaco. Nada me move contra as pessoas que fumam, cujo vício me custa a entender, mas que respeito. Só que, diga-se, em abono da verdade, os efeitos decorrentes do fumo do tabaco, para além dos malefícios que causam nos consumidores, acabam sempre por causar danos transversais, irreversíveis mesmo àqueles que não fumam, e ao próprio ambiente.
Como outros cidadãos, tenho muitos amigos que fumam. Que, de forma sentida e consentida, se martirizam, se destroem num processo lento, não obstante o habitual e inerente lamento. Confesso que não me canso de alertar para as nefastas consequências do potenciar a toxicidade no organismo. Não tenho dúvidas que os fumadores estão conscientes da negatividade do seu vício, a vários níveis. Mesmo até no que toca à positividade no exercício da cidadania, ambiente familiar, social e desempenho laboral. Não obstante, as campanhas realizadas para promover o abandono dessa prática, na generalidade, os fumadores abandonam as suas fumaçarias, inalando um “enchente de porcarias” que, no corpo só provocam “avarias” e potenciando doenças, mortes prematuras e arrelias.
Como é sabido, os custos, nomeadamente no âmbito cuidados de saúde, são elevadíssimos. Mas também para o meio ambiente, para os empregadores, etc. Sou de opinião que o trabalhador fumador deveria ser penalizado sobre o tempo que utiliza, sistematicamente, para satisfazer os seus vícios. E não é tão pouco como isso. Por outro lado, entrar e permanecer num ambiente de fumaça emergente é algo constrangedor, nomeadamente quando o espaço está legalmente interdito ao exercício dos lazeres dos consumidores. Neste como noutros contextos, fala-se muito, fala-se de mais e age-se muito pouco. A legislação está longe de ser cumprida e o respeito pelos que não fumam é algo que quase não existe. Ou não existirá mesmo. Neste domínio é mesmo caso para dizer: “Valha-nos Deus”. Pena que as leis não sejam cumpridas, sendo certo que pior de que não haver lei é quando existe e não é cumprida. Mas porquê se assiste a tanta negligência?!...
Pena que, com muita regularidade, seja confrangedora a falta de consciência cívica e de respeito, principalmente pelos idosos e crianças, a preceito. Desde o atirar com as “priscas”, indiscriminadamente, conspurcando os espaços e o ambiente, até ao fumar junto de bebés, crianças, idosos, em espaços reduzidos, fechados, como, por exemplo, nos automóveis. No que toca à condução, ainda não percebi porque se penaliza a utilização do telemóvel e não o ato de fumar, com inúmeros perigos que essa prática acaba por potenciar. Além do risco de incêndios, mesmo do próprio veiculo, importa ter em conta os movimentos necessários para o acender do cigarro enquanto na gestão da condução.
Tendo sido assinalado, recentemente, o Dia Nacional do Não Fumador, 17 de Novembro, e sabendo-se que o tabagismo é responsável, todos os anos, por mais de 8000 mortes em Portugal, das quais cerca de 4000 por doenças cardiovasculares, 2000 por cancro do pulmão e as restantes por enfisema do pulmão e cancro noutros órgãos, importa promover a defesa da saúde dos cidadãos, de modo a que não se privilegiem “interesses comerciais” em detrimento das orientações emanadas pela Organização Mundial de Saúde.