A Geringonça em modo «Zé Cabra»

O Governo presidido por António Costa, resultante de um acordo Parlamentar com o PCP e o BE, em Novembro de 2015, entrou no seu quarto ano, enfrentando uma conjuntura externa e interna muito difíceis e desarticuladas.
Chegou a hora de António Costa e os membros do Governo por ele presidido demonstrarem os seus verdadeiros méritos face à conjuntura internacional de crise política e económica, face às dificuldades de a União Europeia encontrar um rumo adequado, face à desagregação sócio-cultural perante a invasão de culturas-outras que exigem privilégios sem respeito pelos direitos dos autóctones e pela Lei Republicana e face às reivindicações de corpos profissionais especializados da responsabilidade do Estado Português.
Estas reivindicações pedem o cumprimento de expectativas de carreira oferecidas por governos irresponsáveis e voltadas a oferecer irresponsavelmente pelo actual Governo. E o Primeiro-Ministro, acossado por todos os lados, já dá o dito por não dito e até ameaça os professores de não lhes contar qualquer tempo de serviço.
O problema é o contágio a outros corpos profissionais com carreiras horizontais como a dos professores. A irresponsabilidade dos Governos de Cavaco Silva e de Guterres foi de tal ordem que há mais de 300.000 pessoas em 84 carreiras especiais, sendo professores, médicos, enfermeiros, guardas republicanos, polícias de segurança pública, militares, juízes, inspectores e guardas prisionais as mais numerosas e as seis últimas as mais perigosas para o poder político.
É um dossiê tremendamente difícil de gerir, terreno-maná para as mobilizações do Partido Comunista contra os governos, agora a dar de bandeja o Poder ao PSD, bastando a Rui Rio esperar sentado, tal como o PS esperou que a conjuntura parlamentar se voltasse contra o PSD/CDS em 2015.
Os governos nacionais, embevecidos por uma cultura de poder autoritária, autista, demagógica, irresponsável e patrimonialista (este, que julga que é proprietário daquilo e daqueles em que manda e dirige) semearam, sobretudo nos últimos 30 anos, desigualdades e injustiças. Em 1989 e em 1997, fizeram-se reestruturações de carreiras especiais que, a serem cumpridas integralmente, custariam ao Estado Português vinte mil milhões de euros por ano a partir de 2015, perfazendo um bilião de euros (mil milhões de milhões) ao longo dos expectáveis 50 anos de vida das pessoas, para lá de todas as promoções. Ou seja, mais de um quarto dos orçamentos do Estado. E ainda faltaria acorrer a mais 300.000 funcionários públicos e outros 500.000 pensionistas da CGA.
Costa e os membros do seu Governo têm pois pela frente uma tarefa tremendamente difícil que é a da reestruturação de todas as carreiras profissionais, para as tornar viáveis.
Será uma provação muito grande que não pode ser empurrada com o umbigo, como sempre tem sido, desde 2000.
O primeiro-Ministro sabe que o seu tempo está sob ameaça porque já não tem um andamento nem allegro nem vivace mas sim «Zé Cabra», completamente desafinado. Pessoalmente, quero vê-lo prestar provas para lhe poder julgar o valor porque quero saber ou se tenho razão em não acreditar nele ou se devo prestar-lhe homenagem se ele se houver dignamente.