A Grande Trapaça…

 
De sempre, o embuste existe. Enganar, ludibriar, passar a perna, comercializar, foi e é sinónimo de esperteza, de deixar para trás alguém, levar avanço.
Num frente a frente perde o escorreito, o bem formado, o moralmente inatacável, o vertical. Lá, na época dos tombos, do cai e levanta, da lágrima e do choro, das birras, na infância dos nossos tempos, há que preparar os meninos para o que aí virá. Hoje não é fácil ser gente.
Lembro-me, que saudades, como era seguro brincar nas ruas, como se era feliz nas liberdades totais, o mundo pertencia-nos, os campos e ninhos esperavam-nos, as ribeiras corriam connosco, os ventos e brisas puxavam-nos, os sinos badalavam nosso ritmo, as tabuadas e orações fixaram-nos as memórias.
Os tempos mudaram, felizmente, a segurança foi diminuindo à cadência da eficácia da fechadura, da evolução da técnica, do súbito e veloz aparecimento da milagrosa informática.
Era caso raro a viciação dum Bilhete de Identidade, do Passaporte, ou da moeda. Célebre ficou o genial vigarista Álvaro dos Reis, membro honorário e distinto da História Bancária, dos Banqueiros amorais. Este ultrapassou tudo e todos, não falsificou, enganou meio mundo com dinheiro real, verdadeiro.
Apesar da ciência aliada à técnica evoluir diariamente os falsificadores, também eles estudiosos, ganham vantagens e somam carreiras de sucesso, raros os apanhados.
Penso amiúde, se fácil é copiar notas e passaportes, cheios de misteriosos e luminosos riscos, de cores celestiais, de tintas secretas, de imagens ocultas, como fácil será copiar certidões e diplomas, qualquer que sejam.
Imagino, fértil imaginação, dos milhares de certidões e diplomas, falsos, que inundam os Recursos Humanos, públicos e privados. Nunca vi serem testados, pelos Recursos Humanos de qualquer empresa ou serviço público, uma certidão ou diploma de qualquer grau académico, basta entregar e está aceite. Se fácil é falsificar dinheiro ou passaporte, imagino a facilidade na falsificação de um simples e infantil diploma.
Porque não os seguintes casos, fantasiosos mas talvez reais: alguém que frequentou o 12.º ano mas não conclui, falsifica um certificado, inscreve-se na Universidade e conclui mesmo com mérito uma licenciatura; alguém que falsifica o diploma de uma licenciatura e conclui com mérito um Doutoramento; alguém que tentou um Doutoramento e, não o conseguindo, falsifica o Diploma de um Doutoramento, nacional ou estrangeiro. Catastrófico se exponencial. Não sei onde estão os economistas gestores, onde paira o controlo de gestão administrava, se existem ou não Directores de Recursos Humanos.
Só vejo um caminho para acabar com esta afronta: só os Recursos Humanos públicos e privados podem e devem pedir certificados e diplomas e directamente aos Prestadores do Ensino. Acabariam as falsificações, anularíamos sem dúvida e de vez a vergonha nacional, A Grande Trapaça…