A Importância das Eleições Autárquicas

Na perspectiva da gente comum, validade pelo costume, as campanhas eleitorais são a garantia de que, até ao dia das eleições, a maior parte das promessas (humanamente exequíveis) feitas aos eleitores vão ser cumpridas até ao último dia do acto eleitoral: a gravilha, os paralelos e os montões de areia que permanecem, desde o primeiro dia dos quatro anos de mandato, à beira da estrada das aldeias, vilas e cidades, vão cumprir o propósito para que foram destinados.
São também a garantia da omnipresença dos candidatos em qualquer evento público, cultural ou desportivo, da caminhada solidária à sardinhada. São a garantia dos afectos pouco inocentes, quantas vezes hipócritas, que se manifestam sob a forma de abraços e beijos djairianos (antropónimo de Djair, antigo guarda – redes brasileiro do GDB, que tinha o fastidioso hábito de cumprimentar toda a gente, apenas para granjear simpatia da “massa adepta”).
            Por ocasião dum agradável convívio futebolístico – gastronómico inserido nas festas da cidade de Bragança, de 2016, tive a oportunidade de dizer, enquanto munícipe, de viva voz, ao nosso querido edil, Dr. Hernâni Dias, da minha justiça, relativamente a algumas pequenas obras que, sendo da mais elementar urgência a sua concretização, têm sido permanentemente adiadas.
Além daquelas que publicamente tenho denunciado, como sendo as obras inúteis e onerosas feitas num passado recente, e que, havendo vontade, poderiam facilmente ser revertidas, dei-lhe conta -  partindo do princípio de que a concretização de qualquer obra obedece (ou devia obedecer) impreterivelmente ao critério da prioridade -  da existência de uma rua  no centro de Bragança, cujos passeios, um, inacabado, com gravilha e cimento, outro, completamente degradado,  que tornam o piso irregular e, naturalmente, perigoso para os mais idosos, que os aproveitam para fazer as suas curtas e penosas caminhadas. 
Tendo, pois, consciência de que esta será a melhor oportunidade para reclamar uma necessidade sentida à quase três décadas – remonta, imagine-se, ao consulado do Dr. Luís Mina -, e na eventualidade da edilidade ter a fineza de reconhecer a injustiça, é só tomar nota: é na Rua Dr. Adrião Amado. Um fica em frente à Escola Primária do Toural; o outro, em frente à capela do Santo António e ao muro lateral do cemitério velho, do lado das garagens, por onde os moradores acedem às suas casas, por razões de funcionalidade.
Recebi recentemente na caixa do correio um prospecto do município de Bragança, cuja finalidade é apelar aos detentores de canídeos sobre a importância de cumprirem, nessa qualidade, com as disposições legais constantes do Código Regulamentar sobre posse e detenção de animais.
Como sabemos, o processamento contra – ordenacional do ilícito da não recolha dos dejectos dos cães nos espaços públicos é da competência dos municípios. Eu pergunto, sendo que o dito Regulamento entrou em vigor em 2007, e que, nesta matéria, estamos perante uma praga nacional: até hoje, quantos autos foram levantados pelos fiscais da câmara?! Arriscar-me – ia a dizer que nenhum. Por uma simples razão: há cada vez mais cães a passear na via pública e nos jardins. Na política, as pessoas são números. Se as coimas fossem proporcionais às prevaricações, eram muitos os votos que estavam em jogo.
Ou seja, “Bragança (só) será cidadania!”, quando todas estas situações forem acauteladas. Pois tenho a inabalável certeza de que, nesta matéria, se a competência fiscalizadora e processual fosse assegurada pelas forças policiais, o cenário seria bem diferente.