Justiça

Desde o tempo de menino, aquela época da construção do Palácio da Justiça de Bragança pelos presos, sentia temor quando lá em casa o meu pai falava de tribunais mercê da sua faina e farda decorrentes do seu múnus profissional. Também, o tremor e o temor p ao de a ser encarcerado, de adoecer de modo ficar hospitalizado. O Fernando Almeida meu companheiro de Escola mostrava bom cariz embora vivesse na cadeia, só que ele ali estanciava dada a profissão do progenitor.
O lastro de receio ante o Tribunal e o Hospital prevalece, a justiça cega quanto Homero nos dias correntes dá a impressão de estar possuída da doença de S. Vito, ou pelo menos de viver na orla doo – olho vivo, e do pé ligeiro – como se dizia na época antiga. Porque assim é, procuro não tecer considerações acerca da Senhora Vendada agora a imitar as adivinhas dos espectáculos chiques nos quais conseguem «ver» e nomear os objectos escondidos em roupagens acetinadas e orladas de lantejoulas. No entanto, apesar dos receios, cautelosamente, nesta crónica, atrevo-me a lembrar a dita Senhora de venda nos olhos referindo Joana Marques Vidal e o antigo procurador Orlando Figueira.
A Senhora apareceu no palco debaixo das luzes da ribalta via Marques Mendes a elogiar o seu mandato sugerindo a renovação do mesmo. O comentador não desinteressado imitando os gatos a passarem sobre brasas pousou a opinião, agora diz-se plantou, ficou à espera do efeito nos restaurantes do bruá da política do diz-se, diz-se, não tardou a surgir, com efeito a Ministra da Justiça aventurou-se a expandir opinião contrária provocando enorme alarido como se fosse a noite da serração da velha, ou disputa feminina na Caleja das Pedras.
A Procuradora ganha apoios e peso político, só que não há bela sem senão, as reportagens da TVI relatando a hediondez do roubo de crianças por membros da IURD lançam suspeitas de pouca atenção da Procuradora enquanto trabalhou mo Tribunal de Menores em Lisboa, tendo sido noticiada a intenção de uma Mãe vítima do esbulho de três filhos a ir processar. Se a exterminadora de Tribunais, a inefável Paula Teixeira da Cruz veio a terreiro terçar armas pela amiga, o antigo procurador Orlando Figueira acaba de derribar a ideia de tudo ter entrado no carril do Ministério Público durante o seu mandato a findar em Outubro sem ter extirpado as maliciosas fugas de informação.
O Dr. Orlando Figueira disse das suas ex-colegas instrutoras do processo serem ignorantes, ele sabe da poda ou então é ele o ignorante, em qualquer caso o MP não foi tão bem gerido assim, sendo preocupante a acusação de ignorância às Procuradoras. Também causa preocupação o facto de no decurso de uma sessão do julgamento do Dr. Figueira, um desembargador à falta de lugar ter decidido arranjar um no espaço destinado aos advogados. Para um titular de um Órgão de soberania tal manifestação do Estado sou eu ao modo de Luís XIV obriga-nos a meditar, juntando a reflexão à suscitada pela advertência de os juízes poderem entrar em greve caso o seu caderno reivindicativo não seja satisfeito.
Fui educado a ceder o passeio das ruas aos juízes na altura de me cruzar com eles, fui educado a respeitar o ritual formalista existente nas Casas da Justiça, fui educado na viva combustão do referido temor. O filósofo de Temor e Tremor lembra a todo o instante continuarmos a temer e a tremer