A Justiça será Julgada…

É sabido que detesto o Sócrates. Nunca lhe perdoei o ter-se metido, ele e seu triste Governo, com as Corporações. Maria de Lurdes Rodrigues foi, quanto a mim, talvez a mais esdrúxula Ministra da Educação de que há memória pois não lembra ao diabo a perseguição feita aos esgotados professores deste País. Correia de Campos, esse avaro, acantonou os médicos no público deixando o privado sem meios técnicos qualificados. Teixeira dos Santos, distinguido como altamente incompetente, acabou medalhado pela direita por não ter verbas para ordenados. Mas o Calcanhar de Aquiles estaria na Justiça pois que dois ministros não foram suficientes para calar a ira de Magistrados enraivecidos após subtracção de privilégios mais que merecidos.
Quero crer, ideia minha, que Sócrates entrou em contacto com o Lima do Sótão e com o Saraiva da Cama e delinearam um plano para encurralar a Justiça, obrigá-la a um julgamento na Praça Pública, dela mesmo.
O projecto era audacioso: antes de fazer cair o Governo Sócrates teria de espalhar provas falsas, meticulosamente preparadas, a rondar o real. Foram escolhidos os cenários: Grupo Lena, Pt, Venezuela, Lula, Vale de Lobo, BES, Parque Escolar e um amigo de peito para apimentar. Como cereja em cima do bolo infiltrou no Ministério Público os espiões utilizados no famoso caso das escutas Presidenciais.
O Dia D chegou finalmente: Sócrates chama a Paris o famoso advogado João Araújo e, de lá, entram em contacto com a Procuradoria da República, não aguenta os remorsos de tanta patifaria e quer entregar-se. Mas os espiões infiltrados, treinados na Venezuela, influenciam o Super Magistrado para ser imediatamente preso e garbosamente exposto como um troféu. O Povo, na rua, começava a julgar a Justiça.
As provas, impecavelmente delineadas, enganariam qualquer detective de cachimbo e lupa e fácil seria condenar, esgotado o primeiro prazo para acusação. Seria fácil se lá, no cerne, não estivessem os espiões do Hugo Chaves, ratos, para manipular e prolongar prazos.
Estaria no papo, bastavam as casas de Família, as da mãe e a de Brancamp, a tal do Marquês, e teríamos o primeiro Primeiro Ministro engavetado. Seria verdade se os espiões não tivessem ganho calo lá para os lados de Belém. Adiado.
Estava bem encaminhado o Caso da Casa de Paris, provas evidentes quando, outra vez os espiões, o Grupo Lena de braço-dado com o famoso amigo desviam as atenções. Adiado.
Cheira que tresanda, vendido barato com rendimento de milhões, o barco que o amigo Chaves não quis, teceu luvas. Adiado.
Seguiram-se o Vale onde habita o Lobo, o BES mas, jogada de mestre, as cartas rogatórias não tinham selo e voltaram para trás. Uma vez mais, após três anos de investigação, a acusação é adiada.
Até acredito, tal a perfeição das provas espalhadas que Sócrates poderá ser acusado de algo mas, certeza, certezinha, seja qual for o desfecho, A Justiça será Julgada