Lisboa? Pois!

Através da palavra e da escrita tenho manifestado veemente protesto contra as tentativas de o tema regionalização regressar à agenda política. Ao menor pedido de opinião políticos nordestinos lembram a regionalização ao modo de receita panaceia capaz de curar todos os males, revelando pouco estudo e minguada imaginação. É pena.
A exiguidade territorial, a boas acessibilidades, a feliz ausência de conflitos religiosos e linguísticos eliminam argumentos favoráveis à regionalização, não eliminam, antes pelo contrário, legitimam a urgente descentralização de competências burocráticas, científicas, culturais e técnicas a favor das autarquias e outras estruturas estatais existentes nos distritos.
No que tange à decisão política prefiro estar sedeada no Terreiro do Paço, mal por mal Marquês de Pombal, e não Torre dos Clérigos. É que, dado os contrastes existentes ente a alta e a baixa densidade o Nordeste acabaria debaixo ta tutela de um qualquer Rui Moreira a governar ao estilo de vice-rei. Se duvidam façam o favor de verificar a distribuição do orçamento e das actividades da Entidade de Turismo do Porto e Norte de Portugal. Verifiquem bem.
O Nordeste tem de ultrapassar constrangimentos, não pode continuar a falar «grosso» sem substância para inglês ver, tem se apresentar propostas viáveis sem possibilidade de refutação, isentas de raivosos ciúmes, coerentes e mobilizadoras dos de dentro e dos da diáspora.
O Nordeste tem de conseguir organizar um lóbi de nordestinos donos de massa crítica e influência acima das paixões partidárias unidos entre si pela paixão do orgulho de sermos transmontanos.
Na quinta-feira da semana passada terminou ma FIL uma formidável Feira de ideias expressas nas tecnologias de ponta, eu desconheço se algum autarca, algum professor da Universidade Vila Real ou do Politécnico de Bragança passaram por lá, sei, isso sim, quão estratégicas podem ser as consequências resultando em bons resultados para a economia nos seus múltiplos aspectos para Portugal.
O ex-ministro Paulo Portas teve o mérito de trazer a Feira, a Câmara de Lisboa correspondeu, o governo apoiou e vai investir 200 milhões de euros em projectos centrados nos conteúdos apresentados durante o certame. Alguém dotado de peso institucional do Nordeste está a pensar nisso?
Não vou perguntar quais os deputados nordestinos a estudarem o modo de apresentarem propostas visando a obtenção de parcerias entre empresas sedeadas em Lisboa e periferia e Instituições e Empresas de Bragança e Vila Real, entre outas cidades e vilas nordestinas. Não sendo pitonisa atrevo-me a dizer que tal possibilidade não é quimera de ouro ou de prata.
Seria rematada estultícia enumerar nossos conterrâneos detentores da saberes e competências de enorme relevo no tecido empresarial português e não só, alguns de vez em quando, se os afazeres deixam, marcam presença em confraternizações, no entanto, nunca lhe pedem opinião ou conselho acerca do desenvolvimento do Nordeste.
Há anos desenrolou-se em Bragança, mercê do empenho de António Jorge Nunes, nova edição do Congresso Transmontano, apesar das invejas e despeitos correu bem, só que não teve sequência.
Será que os Autarcas e decisores transmontanos não conseguem organizar em Lisboa (onde reina todo o poder, daí a azia do elitista Rui Moreira) um encontro agregador e motivador do interesse no progresso da Região, por parte das mulheres e homens saídos do terrunho em busca de vida deixando nas fragas e penedos a meia-vida, imersos na diáspora, saudosos da ancestralidade, sem migalha de saudades de tempos maus, de isolamento espiritual e material, de arcaicas mentalidades e retrógrados processos de exercício do poder’ Deixo a interrogação. No respeitante à regionalização continuarei a ser contra parafraseando o meu amigo Doutor Sérgio Ribeiro, reputado economista e membro do Comité Central do Partido Comunista. Ele escreveu um artigo contra os renovadores e a dada altura escreveu deixem-me ser ortodoxo. Eu escrevo: deixem-me ser antirregionalização.