O PAPA FRANCISCO

Tenho insistido num facto, que me parece ter merecido pouca atenção, e que se traduz em, por cinco vezes, o Papa, então em exercício, ter sido convidado para se dirigir à Assembleia Geral da ONU, o que não aconteceu, que pelo menos tenha notado, com qualquer outro líder religioso. Poderíamos ter de admitir que seria por a Carta da ONU, ter sido escrita apenas por ocidentais, em retirada do modelo de colonização com que chegaram a dominar o mundo, se não acontecesse que ali participam, com igual direito e dignidade, os representantes de todas as áreas culturais do mundo, com liberdade igual para exprimirem o que pensam da ordem mundial, do seu processo de mudança, e sobretudo das mudanças que exigem controlo baseado na confiança entre áreas de passados, culturas, e valores, que não tiveram sempre um encontro pacifico, e ainda neste século XXI alimentam o que os observadores desanimados chamam “guerra em toda a parte”, salientando-se como exemplo angustiante que do Cabo ao Cairo umas trezentas mil crianças estão envolvidas em combates, e que facilmente somos obrigados a reconhecer que a geração de homens vivos alcançou, pelo desenvolvimento da ciência e da técnica, o poder de destruir a terra, destinada que foi a “casa comum dos homens”, e não à destruição. Um fenómeno que tem duas faces: a destruição porque se excederam as capacidades do globo em produzir a sustentação das populações pela exploração abusiva, ou a utilização da técnica explorada pelos complexos militares-industriais, de que o fim da guerra de 1939-1945, com o bombardeamento do Japão com a bomba atómica, deixou advertência suficiente. Esta experiência suscitou vários acordos internacionais no sentido de limitar a posse dessa arma, com esquecimento e descuido a respeito da circunstância de não se conhecer método de conseguir que o saber e o saber fazer, se mantenham secretos. 
O resultado é que a posse desse armamento, entretanto crescente em capacidade, multiplicou os decisores políticos que o podem mandar utilizar, sendo fácil reconhecer que nem sempre em mãos acompanhadas do melhor senso e sabedoria política. 
 
O caso da Coreia do Norte, que tem na outra face a nova Presidência dos EUA, é causa de um alarme fundado.
Até agora, o remédio mais eficaz é a Palavra do Papa Francisco, lembrando a unidade do povo desta “terra casa comum dos homens”, e a esperança de que o “poder da palavra” seja capaz de vencer “a palavra do poder”. Pela talvez primeira vez, a paz é o objeto exigente de uma “revolução imparável”, cujo triunfo depende do “credo dos valores” vencer “o credo dos interesses”. A peregrinação que o Para Francisco fez a Fátima, foi nessa data um altar de pregação a todas as áreas culturais, e a todas as crenças, no sentido de conseguirem na salvação da “terra casa comum dos homens”, um valor que, se não assumido, tem como alternativa visível o desastre global.