O regresso da saudade!...

Estamos no verão, tempo de férias, dos dias mais compridos, repletos de sol quente, de elevada temperatura ambiente, que convidam ao lazer, à boa disposição à interatividade positiva e às festas populares, cumprindo-se a tradição, pois então.
Para muitos, trata-se de um tempo de libertação do stress vivencial, do constrangimento laboral e, tantas vezes, do quotidiano das grandes urbes, que é infernal. Por isso, procuram-se diversas formas de ocupar lúdica e relaxadamente o tempo. De a introspeção exercitar, redescobrindo-se, encontrando-se consigo e com os outros, potenciando ambientes de bem-estar, de alegria e perfeita harmonia. Atividades como ir à praia, passear no campo, descobrir cidades desconhecidas, conhecer interessantes “naturezas” escondidas, viajar por belíssimos lugares repletos de saudade, história e cultura, encontrar ou reencontrar amigos e conhecer novas pessoas, constituirão, com efeito, desafios positivos, ocupando o tempo e arejando o pensamento.
As nossas aldeias ganham vida, numa outra vida, com vivências múltiplas. Revive-se o encanto pelas origens, sente-se a alegria com renovada energia, inúmeras vezes, no resto do ano perdida. Regressam os imigrantes e emigrantes, para matar saudades dos familiares, dos amigos, das tradições e dos socais ambientes, que já nunca serão como antes. Os dias, as noites, os eventos festivos e os acontecimentos interativos, ganham uma dimensão diferente, animando o espírito da gente. Espaços de experiências fantásticas, de descobertas entusiásticas, em que se cruzam os regressos da terra prometida à aldeia querida.
Gosto do verão, das festas rurais, com singular vivacidade, mas também da cidade. De na aldeia estar. Porque me traz positivas recordações e algo profundo me diz de alguém que ali foi feliz. O meu pai, a minha mãe e outra gente a quem quis e quero bem. Gosto rever familiares, de abraçar, com saudades de tempos idos, amigos ou conhecidos, alguns que até pareciam já “perdidos”.  
Porque são potenciadoras singulares de encontros, de recordações vividas e tradições perdidas, as festas de verão assumem um papel importante em qualquer povoação. Entendo, até, que não haverá uma data que seja potenciadora de tanta convergência como a destinada ao dia de FESTA. É que, por exemplo, enquanto a celebração do Natal e a Páscoa acontece, para os crentes, em simultâneo e em todo o mundo, as festas podem ter datas diferentes, o que facilita o voltar à casa materna, mesmo que a matriarca já tenha partido para a vida eterna, o reavivar dos sentimentos e entretenimentos de outros tempos, o olhar o passado que sustentou o presente, e persistirá num futuro ainda ausente.  
Que o “Regresso da Saudade” constitua, na verdade, um complemento positivo no viver e sentir daqueles que vivem uma “vida incompleta” por outras terras e outras geografias, voltando a “sentir-se em casa”, usufruindo do passado que proporcionou a identidade nunca perdida, orgulhosamente mantida.