Os grelos e os azedos

Embora já quase a terminar, estamos, ainda, na época das nabiças, dos nabos e, consequentemente, dos grelos. Daqueles que se cultivam, naturalmente, nos terrenos agrícolas. Apesar de, atualmente, a envolvência seja algo diferente, há uns anos atrás, os nabais emergiam por uma extensa área produtiva, porquanto, no meio rural, constituíam importante fonte subsistência alimentar, quer humana, quer dos animais domésticos, estes, elementos vivos determinantes na sustentabilidade da economia familiar. E se, durante o Inverno, davam um ar verdejante às hortas, no início da Primavera as flores das nabiças emprestavam um colorido diferente ao meio ambiente. Porém, nos tempos que correm, com a diminuição da actividade agrícola e do número de animais domésticos, as necessidades desta hortaliça alteraram-se e, muitas vezes, apenas se semeiam nabais, no sentido de promover a produção de grelos para alimentação humana. Recordo, sobretudo os dias frios de Inverno, quando ia às nabiças para as vacas, ou para os porcos. Que frio… que sacrifício! Na altura, enquanto arrancava para os animais, era habitual comer um ou outro nabo, logo ali, na horta, sem grandes cerimónias. Guardanapos, só os de cinco pontas!... Descascava-se e logo estava pronto para ser degustado. É certo que nem todos apresentavam o sabor mais agradável, mas havia possibilidades de escolha e alguns sabiam que regalavam o dente e o estômago, com gourmet biológico. Foram vivências passadas. Agora, dificilmente, alguém experimenta comer um nabo cru, principalmente os mais jovens. Os tempos são outros!... Todavia, continua a ser normal comer nabiças e grelos, já que é um alimento natural, de baixo preço, mas de grande qualidade. Não obstante existirem muitas outras maneiras de cozinhar esta distinta hortaliça, uma forma tradicional de comer os grelos, é cozidos, acompanhados de azedo, devidamente tostadinho, o que, para muita gente, é um mimo excelente. Contudo, para além do azedo, da parte que me toca, gosto de acompanhar os grelos, também com um bom chouriço doce, ou de mel, como muita gente lhe chama, não dispensando umas batatas da região (nada de importações!...) e uns ovos, também cozidos. Este combinado de grelos, batatas e ovos, bem condimentado com um bom azeite da nossa terra, acompanhado com azedo e chouriço doce, constitui uma interessante refeição, com ingredientes naturais da região. Pena é que, tal como outros produtos da nossa terra, os grelos, os azedos, e até os chouriços doces, não tenham sido, ainda, devidamente promovidos, no sentido de se tornarem mais conhecidos e, consequentemente, mais consumidos. Quer ao nível local, quer nacional, ou internacional. Potenciar tudo o que é nosso, que promova a região, a economia local e divulgue a tradição, certamente se tornará uma mais valia transversal. Em boa hora, pois, surgiu a ideia, de juntar um grupo de amigos para realizar um jantar de azedo com grelos, no sentido de, em salutar convívio, promoverem a divulgação e destas iguarias da gastronomia regional. Este singular/original “encontro” está agendado para o próximo dia 27/03/2017, segunda-feira. A confeção e apresentação do repasto, será da inteira responsabilidade do prestigiado Chefe, Eurico Castro, que, certamente, não abdicando do tradicional, nos irá surpreender com algo de original.