Partilhar é sempre multiplicar

Nestas férias de Agosto, as nossas comunidades crescem em número, em encontros e em partilhas. Agosto é, em muitos lugares, o único período de encontro inter-geracional nas nossas aldeias. A alegria do re-encontro pode rapidamente transforma-se em folias desordenadas e violentas.
A chegada dos nossos migrantes e emigrantes provoca e a transforma as nossas comunidades. No entanto, tenho vindo a constatar uma triste realidade. A sua chegada nem sempre – ou raras vezes – é sinal da ternura e afeto daqueles que os recebem. É curioso que a mudança provocada por esta cultura dominante faz com que, cada vez mais, sejamos mais indiferentes e mais insensíveis àqueles que ansiosamente desejam regressar e estar com os ‘seus’. Os nossos emigrantes muitas vezes partilham-me que se sentem sem terra, sem pátria. Lá fora são estrangeiros e cá são emigrantes! Parece que estamos no tempo do Êxodo: aquele tempo em que o Povo da Aliança não tinha terra, não tinha lugar, e que ansiava pela promessa de Deus que lhes daria a tão desejada e ansiada terra prometida.
A terra está sempre intimamente ligada ao ser. Na verdade, todos nós lutamos, desejamos e ansiamos para termos o nosso cantão. Ter um lugar é ter um lugar de pertença; é ter um lugar onde posso ser; é ser o que posso vir a ser. Por outras palavras, ter terra é ter casa! Relativamente a isso, já sabemos que ‘casa’ é sempre lugar e espaço de conforto, de segurança, de relação e de afeto. É em casa que eu sou sempre eu. É onde estou ‘nu’: em casa sou eu sem máscaras nem subterfúgios. É a casa que potencia o amor: é lá que aprendo a amar, que aprendo a arte de amar e ser amado, e aprendo a rezar e amar a Deus Nosso Senhor.
Regressar à nossa aldeia é regressar a nossa casa. Não podemos ser rudes, frios e insensíveis àqueles que chegam e regressam à sua e nossa terra. Precisamos de partilhar o que temos e o que somos. Se cada um der o que tem e o que é, tudo será diferente. Basta partilharmos um pouco para que, pelo contágio da partilha, possamos multiplicar o que demos. O pouco de cada um será sempre o muito de todos. Partilhar é sempre multiplicar!