Primeira epístola de Bragança aos BARÕES do PSD

Quem vos escreve é alguém que aos 20 anos de idade abraçou um ideal e seguiu Francisco Sá Carneiro na luta pela defesa e pela implantação  desse ideal. Nessa altura muitos  ( de vossas senhorias) andariam  de cueiros e de chupeta. Acredito que a maioria ( de vossas senhorias) não usem os tais cueiros mas pelo que tenho visto custa-vos muito a largar a chupeta.
Doutra forma o comportamento ( de vossas senhorias) seria outro.
Paz, Pão, Povo e Liberdade era este o alicerce do projecto pelo qual lutou e morreu Francisco Sá Carneiro.
Paz se no poder e a mandar estiverem vossas senhorias!
Pão para os banqueiros e grupos económicos que se disponham a ajudar vossas senhorias a chegarem ao poder!
Povo chamado a pagar os desvarios e os desmandos causados pelas golpadas dos últimos 43 anos!
Liberdade para todos menos para aqueles que não queiram seguir o vosso caminho, o vosso exemplo e as  vossas teorias.
Quem vos escreve do cimo de Portugal é um dos dois (2) – apenas 2 – militantes do PPD do Distrito de Bragança que, em Outubro de 1976 no Conselho Nacional, realizado no Hotel Estoril- Sol em Cascais votou, favoravelmente, a alteração da designação do PPD para Partido Social Democrata PPD/PSD proposta por Francisco Sá Carneiro. Eu sei que a maioria (de vossas senhorias) ainda não era nascida e outros andariam de cueiros e chupeta..
Quem vos escreve é alguém que, no cimo de Portugal, aos 21 anos de idade foi candidato a deputado nas primeiras eleições legislativas livres realizadas em Portugal integrando uma lista do PPD encabeçada por um ilustre trasmontano Prof. Dr. Manuel Costa Andrade.
Se calhar alguns (de vossas senhorias) andariam pelos comícios à procura de rebuçados para chupar.
Quem vos escreve, do cimo de Portugal, é alguém que deu o corpo ao manifesto e a cara pela candidatura de Ramalho Eanes em 1976 e que comprou (do meu bolso) um Pato ao qual foi cortada a cabeça na tribuna de honra, no comício realizado no ciclo preparatório Augusto Moreno.
Quem vos escreve, do cimo de Portugal, é  alguém que se deliciava com as discussões no parlamento onde nas primeiras filas se sentavam homens como Álvaro Cunhal, Octávio Pato, Carlos Brito, Vital Moreira e José Magalhães do PCP Mário Soares, Salgado Zenha, António Macedo, Vasco da Gama Fernandes, Tito de Morais, Raul Rego, Henrique de Barros, Lopes Cardoso e Jorge Campinos do PS, Francisco Sá Carneiro, Magalhães Mota, Pinto Balsemão, Olívio França, Montalvão Machado, Carlos Mota Pinto, Figueiredo Dias, Barbosa de Melo, Ferreira Júnior, Cristóvão Norte, Cunha Leal e Aires Querubim do PPD/PSD, Freitas do Amaral, Amaro da Costa, Basílio Horta, Galvão de Melo da CDS Américo Duarte e Acácio Barreiros da UDP.
Foram estes os obreiros da liberdade e da democracia e eram estes os que faziam as leis em nome do povo.
Hoje, nessas primeiras filas estão uns Galamba (de brinco) uns Iglésias (de rabo de cavalo) e uns Varoufakis (de cachecol Burberry) e uns Louçãs de fato e gravata a caminho do Banco de Portugal. E por isso as leis que nos vão governando são encomendadas às sociedades de advogados onde alguns (poucos) (de vossas senhorias) se entretêm a brincar aos advogados e de lá saem leis sem vírgulas com pontos a mais e com alguns pontos de interrogação para depois o povo pôr lá alguns pontos de admiração!
Por isso é que o povo não passa cartão à maioria (de vossas senhorias)