Prisões, lugar de redenção

Ser detido nunca é uma coisa boa. Contudo, a passagem pela prisão pode ser uma oportunidade de redescoberta do sentido da vida.
Nos últimos três anos, D. José Cordeiro, bispo de Bragança – Miranda, tem ido ao Estabelecimento Prisional de Bragança celebrar a Missa Vespertina da Ceia, com o Lava-pés a doze dos reclusos. Este ano um deles estava particularmente emocionado. E, no final da celebração, disse ao bispo: “Ainda bem que fui preso. Reencontrei-me comigo e com Deus!”
Este não é um caso único. Acontece muitas vezes nas nossas cadeias que os reclusos, pela experiência da perda de liberdade e graças ao acompanhamento espiritual e religioso, percebem que viviam uma vida sem sentido. Na reclusão redescobrem o valor da fé e muitos outros valores que tinham deixado de nortear a sua vida.
Num Encontro Nacional da Pastoral Penitenciária, um recluso contava a sua experiência e realçava que só conseguiu reerguer-se graças a ter sido “bombardeado de amor” pelos visitadores da Igreja Católica. Tal como para esse recluso, o período de reclusão, mais do que um tempo de castigo pelo crime cometido, deveria converter-se num ciclo de conversão e de ressurreição para uma vida nova.
Espalhados pelo país, os inúmeros colaboradores da Pastoral Penitenciária procuram Cristo na pessoa de cada um dos reclusos. Estão a ser fiéis ao Evangelho, que diz: “Estive preso e fostes visitar-me” (Mt. 25, 36). Mas hão-de ser, também, portadores de Cristo aos que estão temporariamente privados da sua liberdade.
O Papa Francisco desde o início do seu Pontificado tem celebrado em ambiente prisional a Missa da Ceia. Este Natal disse aos reclusos na cadeia de “Regina Coeli”, em Roma: “Hoje eu, que sou um pecador como vós, mas represento Jesus, sou um embaixador de Jesus. Hoje, quando me curvo diante de cada um de vós, pensai: ‘Jesus apostou neste homem pecador para vir a mim e dizer-me que me ama’. Este é o serviço, este é Jesus: ele nunca nos abandona; ele nunca se cansa de nos perdoar. Ele ama-nos tanto. Vede como Jesus arrisca!” Já antes lhes tinha dito: “Jesus chama-se Jesus, não se chama Pilatos. Jesus não sabe lavar as mãos: ele só sabe arriscar! Vede esta imagem tão bela: Jesus inclinou-se entre os espinhos, arriscando a ferir-se para resgatar a ovelha perdida”.
Para que Jesus Ressuscitado entre nas cadeias, para além da celebração da eucaristia durante esta Oitava da Páscoa, realiza-se desde o ano passado no Estabelecimento Prisional de Bragança a Visita Pascal a cada uma das celas dos reclusos que pretendam receber o Senhor. Quase todos abrem as portas da sua cela a esta visita. Muitos deles, durante o tempo de reclusão, abrem o seu coração e deixam que a força renovadora do Ressuscitado os transforme. E quando saem da cadeia, embora a sociedade continue a etiqueta-los como ex-reclusos, são na verdade homens e mulheres novos.
Esta Páscoa, que ainda celebramos, deve ser mais uma oportunidade para que os reclusos espalhados pelos estabelecimentos prisionais de todo o país experimentem a proximidade do amor de Deus. A presença operante e solícita dos inúmeros colaboradores dos Assistentes Espirituais e Religiosos da Pastoral Penitenciária são um contributo inestimável para que os reclusos se reencontrem consigo e com Deus.
Uma Santa Páscoa!