A propósito de… Um jantar de grelos com azedo!...

Percebendo o meu gosto e a minha predisposição para a promoção dos produtos da nossa terra, do que é nosso, da nossa gastronomia, há uns tempos atrás lançaram-me o desafio para organizar uma refeição de grelos com azedo.
Embora essa ideia estivesse já no meu pensamento, de entre as pessoas que me abordaram nesse sentido, reforçando a minha atenção para a valorização dos grelos e do azedo, não quero deixar de destacar, os amigos, Luís Afonso, Machado Rodrigues e Castro Leão. Nas conversas que mantivemos sobre estas iguarias gastronómicas, uma vez que grelos existem noutras localidades do país, o destaque recaiu sobre o azedo, dado tratar-se de um enchido com características muito singulares, típico desta região da Terra Fria, que não estará a ser tão divulgado quanto merece. Muito embora se trate de um produto com Indicação Geográfica Protegida pelo Reg. CE N.º 944/2008, de 25 de Setembro, sendo a entidade gestora a Associação Nacional de Criadores de Suínos de Raça Bisara, a verdade é que, também na minha opinião, muito mais pode e deve ser feito no âmbito da promoção e divulgação deste “chouriço”, que eu diria de excelência, da nossa gastronomia tradicional.
Como os desafios altruístas positivos constituem para mim uma forma de estar na vida, e um valor acrescentado à minha vontade de ser e realizar, levar por diante esta ideia passou a fazer parte dos meus interesses no domínio da responsabilidade social.
Entendendo que as realizações criativas singulares serão tão interessantes quanto louváveis, não tenho dúvidas que esta foi uma delas, mesmo estando consciente que o espírito do “Ovo de Colombo” paira sempre nas mentes de alguma gente. Da ideia à prática foi só uma questão de tempo. Naturalmente que a escolha da data poderia ser diversificada. Mas teria de ser um dia. E essa escolha recaiu no passado dia 27/03/2017, segunda-feira, na Rota dos Sabores, em Bragança.
Dados os primeiros passos no lançamento do evento, fiquei logo com a certeza de são em elevado número, as pessoas que apreciam os grelos com azedo. Todavia, mesmo entendendo que este tipo de refeição, numa primeira iniciativa, não deveria ser dirigida para muita gente, e não sendo divulgada publicamente, acabaram por marcar presença sete dezenas de convivas. Curiosamente, além da forte presença brigantina, outras pessoas, oriundas de vários locais do distrito e até da região norte/Porto, fizeram questão de estar presentes, com a particularidade de algumas delas nunca terem degustado uma refeição deste género. E não houve dúvidas, mas sim certezas. A avaliação final foi positiva foi unânime, não só no que toca à qualidade e sabor dos produtos gastronómicos servidos, como à apresentação da ementa e serviço de mesa, complementados envolvência interativa, que se tornou um valor acrescentado à componente afetiva.
O afeto culinário e a experiência da D. Fátima, complementado com o requinte e mestria a que nos habitou o Chefe, Eurico Castro, culminaram num jantar de excelência, que levará os presentes a não esquecerem a presença.
Na verdade, o importante não é só ter ideias, mas sim concretizá-las, colocá-las em prática com sustentabilidade, elevação suscitando a motivação. E quando assim é, contra factos, não há argumentos.
Ficou a experiência positiva e lançado, desde logo, o desafio no sentido de, no próximo ano, ser organizada uma refeição deste género, mais abrangente, ou seja com muita mais gente, tendo, também, uma componente social em mente, na circunstância, a favor da delegação de Bragança, da Cruz Vermelha Portuguesa.