Quanto vale uma vida?...

A discussão sobre a legislação da morte assistida não é de agora. Mas com o aproximar do final da atual legislatura, aumenta a pressão política no seio do Governo para que uma lei mais permissiva veja a luz do dia.
Ora, sendo esta uma questão literalmente de vida ou de morte, como adverte o Presidente da Associação Nacional de Cuidados Paliativos na página 23, o mínimo que se exige é que se faça uma discussão séria e madura e uma verdadeira reflexão. O contrário daquilo a que se vem assistindo com a intoxicação permanente da opinião pública e com a radicalização de posições.
A vida humana é demasiado preciosa para se por e dispor dela de forma leviana, mesmo em caso de doença, até porque uma decisão destas não tem volta.
Por estes dias foi noticiado o caso de uma brasileira que foi dada como morta mas que terá acordado no caixão passados dez dias. Quando passou o susto aos vizinhos e foram confirmar o caixão, encontraram um corpo ainda quente e com feridas nas mãos, mas definitivamente cadáver.
Por um lado, é altamente questionável a legitimidade que os partidos se arrogam neste momento para legislar sobre o assunto, tendo em conta que simplesmente se “esqueceram” de incluir esta questão nos respetivos programas eleitorais, sufragados pelo povo.
Por outro, a discussão centra-se mais na facilitação da morte e menos na facilitação da vida e em minimizar o sofrimento dos doentes. Até porque a medicina conhece evoluções a cada dia e o que ontem era incurável e fatal, hoje pode ser um simples incómodo temporário. Isto para além de toda a evolução em termos de cuidados paliativos, que ajudam os doentes em fim de vida.
Portugal devia olhar para o aumento do número de mortes assistidas que se vive nos países que a liberalizaram e pensar nas consequências que acarretam para a sociedade. Uma situação destas constitui uma pressão tremenda para os que, mesmo sem nenhuma doença terminal, se vão aproximando do fim da vida. Sentindo-se um peso para os descendentes, serão tentados a aceitar uma solução terminal com a qual não concordarão mas que terão vergonha de confessar. Quer um filho ficar com esse ónus?
É de vidas humanas que falamos.
... e quanto vale um Novo líder?
A Concelhia de Bragança do PS, acabada de tomar posse, tinha três possibilidades de resolver um dos maiores imbróglios que herdou das autárquicas, a União das Freguesias de Sé, Santa Maria e Meixedo. Ou deixava o novo presidente eleito em lume brando até o queimar no próximo ano, por altura das legislativas, provocando eleições nessa altura, mais favorável depois de ano e meio de desgaste; ou, apesar de ter sido apenas a terceira força política mais votada, negociava condições mais vantajosas para a gestão da Junta do que aquelas que a votação popular lhe deu, garantindo uma maior representação dos seus eleitores; ou procurava a rotura, recusava o acordo e esperava que o próprio PSD se visse forçado a dar o passo de avançar para eleições. Das três opções, André Novo escolheu a quarta, entregar a junta de bandeja ao PSD, sem sequer assegurar qualquer vantagem negocial ao nível do orçamento, por exemplo, entregando um autêntico cheque em branco. A questão é: porquê esta benesse, “cozinhada” entre poucos e que apanhou o próprio PSD de surpresa, numa altura em que até estava disposto a ceder em vários pontos? Em vez de tiro no porta-aviões cheira mais a um Novo tiro no pé...