Quem nun sabe é c’mo quem nun bê – I

A reforma administrativa aprovada na segunda metade do séc. XIX em pleno regime monárquico, mostra bem a diferença entre a competência e a incompetência.
Eu penso que essa divisão administrativa não foi resultado de nenhum impulso mediático ou político. Doutra forma não teria durado quase 150 anos.
Os vulgos republicanos da I república não tiveram coragem de mexer em tal coisa.
Tão democratas, tão republicanos, tão socialistas e tanto de esquerdas deixaram que uma lei da monarquia lhes servisse para o seu desgoverno e para que a bandalheira republicana tivesse durado até 1928.
Também o Dr. Salazar não viu necessidade de alterar a divisão administrativa que vinha da segunda metade do séc. XIX e deixou tudo como estava.
Também os grandes políticos a seguir ao 25 de abril como Mário Soares, Francisco Sá Carneiro, Freitas do Amaral e Álvaro Cunhal tiveram a inteligência e o bom senso de não mexer numa matéria que poderia causar divisões na sociedade portuguesa.
Mas decidiram que tinha de haver regionalização.
E também sabiam que era consensual a regionalização porque o país estava, naturalmente, regionalizado pelo povo.
Em Portugal somos transmontanos, somos minhotos, somos beirões, somos ribatejanos, somos alentejanos, somos algarvios, somos madeirenses e somos açorianos. Desta forma não era difícil regionalizar o país. E também esta era a opção que o povo aceitava com naturalidade e sem grande bairrismos balofos.  
Mas Mário Soares e Francisco Sá Carneiro começaram a perceber que nos seus partidos havia «uns muchachos» que não gostavam desta opção. E os anos foram passando e a regionalização foi ficando para trás e não se fez. Nem se fará, digo eu.
Mas ao longo destes mais de 40 anos de liberdade e de democracia foram sendo criados mais concelhos. Por oportunismo político! Por calculismos partidários! Por demagogia e por vaidades saloias de deputados do PSD e do PS.
Ao longo destes 43 anos o PSD e o PS foram deixando de ser partidos de influências nitidamente regionais que se entendiam para as escolhas de liderança nacional. Assim o líder que ganhava era um líder forte e respeitado porque era o resultado das vontades e das lideranças regionais. Isso implicava que em cada distrito ou região autónoma houvesse líderes fortes, capazes e competentes que depois se entendiam para escolher as lideranças mais capazes.
 
(continua)