A opinião de ...

Um Beijo…

Dando crédito aos especialistas, os beijoqueiros, existem várias espécies de beijos, vai depender de vários factores a sua tipologia, sua catalogação.
Há registo de um ranking de beijos que passaram à eternidade tal a paixão que deixam no íntimo de quem os analisa, de quem se deixa ir na onda sensual, de intimidade, de interligação, do levitar, do alheamento, do par fundido.
Kiss of Life, Beijo da Vida, foto de Rocco Morabito de 1967, fixou momento de inquietude extrema, dois trabalhadores de Linhas de Alta Tensão, suspensos por cabos, enleados nas alturas de um poste, em que um deles, através de um beijo, pratica um boca-a-boca, trazendo à vida o outro, vítima de choque elétrico.
Beijo V-J, dia da comemoração da vitória da América sobre o Japão, um casal marinheiro/enfermeira, de branco, ganhou eternidade pela fotogenia envolvente, cinturas encaixadas, em dádiva.
Beijo Marxista Fraternal, Leonid Brejenev/Erick Honecker, Presidentes da União Soviética e Alemanha Oriental, na comemoração dos 30 anos desta República Democrática, beijo labial de intimidade explosiva, que colocou em choque a puritana Europa Ocidental.
Beijo de Rodin, eternizado em escultura, cena da Divina Comédia de Dante, os amantes Paolo Malatesta/Francesca Ramini, casal proscrito e condenado aos infernos.
Beijo de Judas, Beijo da Traição, beijo facial através do qual Judas Escariotes sinalizou Jesus, identificando-o aos soldados que o prenderam. A cena decorre na Paixão, espaço de tempo entre a Última Ceia e a Ressurreição, ficou para a História Cristã Católica como a mais ignóbil prova de amizade.
Beijo do Respeito, popularmente conhecido como Beijo do Cagaço, praticado em Roma Antiga de forma escalonada, os cumprimentos ao Imperador por beijo: nobre importante, nos lábios ; nobre menos importante, nas mãos ; súbditos, nos pés.
Ainda hoje se pratica o beijo do respeito, veneração de fé, no anel papal, no anel dos Bispos e no Crucifixo nos tempos pascais.
Em pleno sec. XXI, porque o tema Metoo descambou, nos Prós e Contras da RTP, rebenta, com estrondo, tese inesperada: obrigar uma criança a beijar os avós, sem o querer, é violação do corpo de outrem, com o poder de quem manda.
A plateia, anestesiada pelo afrontamento, fica suspensa do parecer da única entidade presente no painel, tecnicamente apetrechada para o contraditório de tamanho sacrilégio, o Professor Coimbra de Matos, distinto Médico Psicanalista, amante do Amor. Apesar de nenhum Media aflorar o que ali aconteceu, eu vi, este especialista concordou em absoluto com a tese, aparentemente absurda, do “Monstro” Dr. Daniel Cardoso.
Porque nada é definitivo gostava de saber a posição da Dr.ª Raquel Varela, quando um seu neto não quiser dar um beijo ao seu “Bivô”, provavelmente em decrepitude. Dependendo dos netos e dos avós, a afetividade, sem obrigações, claro que pode ser transmitida por Um Beijo…

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3703