As Semente do Diabo…

Sobre a História que aí virá vão sendo contadas muitas historinhas, daquelas que embalam. Os contadores, agricultores frustrados, tentam plantar opiniões pessoais, umas vezes ingénuas outras propositadas, convencidos que daquele arbusto brotarão Factos Históricos.
Nos longincos anos de 85/95, no Portugal daqueles tempos, tomou o poder um novo Senhor Feudal. O povo, agradecido, farto das desavenças esquerdinas em que cada cabeça sua sentença, vira-se para a sereia, a do melodioso canto, a direita que cumpre.
Durante dez longos anos, as divindades intercederam para que as melhores condições fossem dadas aos Governos desta década de oiro: o barril de petróleo a preços de saldo, o dólar nas ruas da amargura, os dinheiros da Mãe Europa oferecidos ao desbarato e aos milhões, ingredientes de bonança no cofre de duas maiorias absolutas. A meta a alcançar: modernizar através da alteração drástica dos meios de produção, substituir o passado pelo presente. Mas lá no cerne da governação, aranha invisível concebe maquiavélica teia, nos labirínticos gabinetes dos abana-cabeças, os tentáculos de sombrio ser espalham-se, poderosos, apodrecendo lentamente o fundo da caixa forte, encaminhando os meios para outros destinos que não os prometidos. Dos escombros sobressai apenas a AutoEuropa, de concepção alemã. Das poeiras emerge, em crescendo asfixiante, o Vulcão da Desigualdade, cuja lava cresce por cada contestação de rua. No fim, com os ratos em fuga tudo na mesma: meios de produção obsoletos, ricos ostentando impudica riqueza, défice nos 8.
O especialista em contas, que nunca se engana e raramente tem duvidas, descobriu o ávido que tudo come, o culpado que não ele, e blasfema: os criadores do energúmeno são Guterres e Pina Moura. Só que Cadilhe, Ministro das Finanças, Homo-Erectos, relembra e acusa: o Monstro alimenta-se dos Direitos Adquiridos e seu pai é o Senhor Feudal que servi. A sementeira está em marcha.
No rescaldo, os cavaleiros do Reino partem à conquista, ao assalto. Um, com gene financeiro, fundará o Banco Para Nós. Outro, Esperto das Arábias, será Conselheiro de futuro Reino. As sementes progridem, brotam.
Nosso salvador, altivo, soberbo, único, regressa à arena. O Povo, amnésico, implora o regresso. E ei-lo, triunfante, escondido atrás de
écrans, tweetando, fala apenas para os seus, não se mistura com o povo. De saída,  já desligado, escreve: tudo de mérito, fui eu, todo o fracasso é dos outros.
Satanás, anunciado, ao longo de trinta anos plantado, brota em omnipotência de As Sementes do Diabo…