Terceira Epistola de Bragança aos Políticos

Ao contrario do que possam pensar os políticos nada disto é estranho para o povo. Aliás, o povo na sua sabedoria milenar tem conselhos que poderiam ser aprendidos por quem tem aspirações a fazer carreira política.
Diz o povo «queda-te roda e num desandes» cá está um conselho da sabedoria popular que os partidos da «tripeça» deveriam ter aprendido e agora não precisavam de tantos golpes de rins para justificar o que não são capazes de justificar. Diz o povo também «Deus nos livre dum pobre de barriga cheia». E é verdade! Doutra forma tinham poupado este país a muitos: F.F., a muitos C.M., a muitos D.L., a muitos O.C., a muitos C.F., a muitos A.V., a muitos J.S., a muitos J.B., a muitos R.S., a muitos V.C., a muitos R.R., a muitos M.R.. Enfim, podiam ter feito deste pais um pais de gente decente e de políticos credíveis.
O povo sabe que quando «a semana vai de piolhos não adianta vestir a camisa lavada». Eu não sei se a culpa é dos 7 dias da semana ou se é dos piolhos. Mas sei que não é da camisa lavada.
Apesar de tudo isto, se calhar, também aceito que o povo nem sempre tem razão mesmo quando diz não vale a pena inventares porque não há nada para inventar, já está tudo inventado. E não é verdade.
Faltava inventar o imposto da «solheira» e do «absedo».
Uma touça de carvalhos na «solheira» dá melhor lenha p´ra arder do que uma touça de carvalhos no «absedo».
Os sardões duma carrasqueira na «solheira» racham melhor do que os sardões duma carrasqueira do «absedo».
Um lameiro com feno sega-se melhor se estiver no «absedo» do que se sega um lameiro da «solheira». Os lameiros da «solheira» não apanham tanta geada, no inverno, como apanham os do «absedo». E por isso não é justo que quem tem prédios no «absedo» e apanham mais geada no inverno pague tanto de «décima» como paga o que só tem lameiros na «solheira» que nunca apanham geada.
Razão pela qual a taxa de IMI e doutros impostos não deve ser calculada anualmente mas sim mensalmente. Desta forma nós, brigantinos, éramos discriminados, positivamente. Os filósofos de carregar pela boca não dizem que em «Bragança são nove meses de inverno e três de inferno»? Logo o nosso IMI tinha de ser forçosamente mais baixo do que o de Lisboa e Porto.
Porque razão a taxa de IMI nas «moreirinhas» em Bragança há-de ser igual à taxa de IMI da «Vila» no castelo?
Porque razão a taxa de IMI na Rua dos Gatos há-de ser igual a taxa de IMI da Av.ª das Forças Armadas ou da Braguinha?
E porque razão a taxa de IMI de um 1º andar na rua dos Batocos há-de ser igual a taxa de IMI de um 18º andar no Megatério do Loreto?
Afinal não estava tudo inventado.
Ainda faltava inventar o imposto do «absedo» e da «solheira». E há quem fique incomodado ao ouvir o povo dizer «quem te manda a ti sapateiro tocar rabecão»?