Um simples reparo!...

Entre outras atividades, no âmbito das comemorações do 25.º aniversário, o canal televisivo, SIC, emitiu, desde a Praça da Sé, em Bragança, uma edição do Jornal da Tarde, no decorrer da semana passada. 
Tratou-se de uma das diversas transmissões que a SIC está a levar a efeito por várias localidades país. Pode dizer-se que será uma boa forma de chegar mais perto dos telespetadores dispersos pelo nosso território, sobretudo das zonas do interior. Dá-se a conhecer com mais proximidade e torna-se ainda mais conhecida, promovendo, até a identidade televisiva com relativa notoriedade.
As imagens das localidades onde se instala ficam mais difundidas e, em certos casos, durante a sua permanência, a animação inerente torna as “praças” mais divertidas.
Pode dizer-se que este canal televisivo privado promoverá, porventura, um “serviço público” sustentado.
Sendo certo que emitir, desde Bragança, o Jornal da Tarde, se torna interessante para a cidade e para a região, também não é menos verdade que acaba por trazer, também, mais-valias para a mediática estação. 
Mesmo não sendo a primeira vez que acontece, se a orientação e os objetivos tiverem em mente a promoção deste interior esquecido e, tantas vezes preterido, será ainda maior a nossa satisfação.
Porém, também não podemos fazer desta e de outras transmissões algo a que não tenhamos direito, ou mesmo não mereçamos. Somos, no mínimo, tão portugueses como os das metrópoles de Lisboa, Porto, ou de outros favorecidos centros urbanos do litoral.
Se a SIC esteve em Bragança, ao emitir da capital nordestina, fazendo de si própria propaganda na cidade, também ganhou aqui mais notoriedade. A tudo isso e demais solicitações, os brigantinos terão correspondido com as suas generosas contribuições/participações.
Mas o que me levou a ficar algo indignado e a fazer este reparo, prende-se, sobretudo, com o facto de, no decorrer deste espaço noticioso, do Jornal da Tarde, o respetivo Pivot efetuar uma ligação à Costa da Caparica, e o repórter ali presente ter iniciado a sua intervenção como a alusão a uma música dos Xutos e Pontapés, recorrendo à letra do álbum editado em 1988 “Para Ti Maria” em que refere que “De Bragança a Lisboa são nove horas de distância”.
Até aqui, na minha perspetiva, nada de mal, até porque se trata de uma das canções mais conhecidas dos Xutos e Pontapés. Porém, não ficou dito que essa realidade já aconteceu há quase três décadas.
E não existindo qualquer observação censurável relativa à introdução da intervenção do repórter, para se referir aos Xutos, entendo que não deveria ter ficado por ali, na sua oratória, simplesmente com aquela frase, ao pretender referir-se a Bragança e à distância em relação a Lisboa. Essa situação vivia-se e sentia-se, na verdade, em tempos que já lá vão.
Por isso e para evitar que essa imagem representativa ficasse na mente de muitos telespetadores, entendo que, no decorrer da intervenção, deveria ter referido que, atualmente, tudo é diferente. Que, de Bragança a Lisboa, são apenas cerca de quatro horas de distância, portanto menos de metade, do que é referido na letra da canção, que a capital nordestina há vários anos tem ligação aérea, duas vezes por dia, à capital do país e Algarve, que já não tem comboio, mas tem uma boa autoestrada e ótimas ligações rodoviárias para a Europa. Poderia, ainda, acrescentar que Bragança fica a menos de duas horas de viagem até ao Porto, e três a Madrid. E, pela sua localização geográfica está perto da futura linha espanhola do TGV.
Ainda que no interior, Bragança, que fica muito perto do resto da Europa, é das poucas cidades portuguesas com ligação aérea, diária, durante a semana, a Lisboa, para além de múltiplas ligações rodoviárias, evidentemente.
Falar de Bragança é, pois, falar de uma cidade onde as vias de comunicação já não constituem qualquer problema no que toca à mobilidade, antes uma boa contribuição para o desenvolvimento da região, com inegável realidade.