Uma lição de... História da arte, com “arte” própria!...

Já participei e assisti a inúmeras apresentações, aulas, palestras, declamações do ser e do saber. Com variadas gentes e especificidades inerentes. Porém, dada a simplicidade da apresentação, explicação e partilha do saber emergente, da experiência, da investigação, do esforço motivacional e da aprendizagem contínua proveniente, não posso deixar de partilhar com os meus leitores, uma interessante lição de história da arte, a que assisti, no passado dia 24/06/2017, na Igreja Paroquial de Frieira, minha terra natal, no decorrer da cerimónia de apresentação do livro, Frieira - História Viva, sendo protagonista, António Mourinho. 
Obviamente que, conhecendo as caraterísticas deste enérgico e sustentado orador, já esperava uma apresentação com a elevação e prestígio inerente ao seu saber e à obra literária já concebida. Porém, a certa altura da sua intervenção, surpreendeu-me a sua descida do “púlpito”, posicionando-se no corredor central da Igreja, com o microfone em punho. Descontraído, sem  pressa, dominando o  discurso interativo, sonoramente ilustrado pelo sotaque mirandês, António Mourinho  falou, detalhadamente, sobre o valor artístico do património civil,  religioso, económico, cultural e imaterial da antiga vila de Frieira. Atendeu à cronologia de cada monumento, a começar pelo pelourinho  medieval, símbolo da independência jurídica, económica e social da  vila de Frieira, pelo Foral concedido por D. Dinis, em 1282, e que marca vincadamente o estatuto de um feudo do mesmo rei.
A Igreja de  Frieira foi toda descrita no que respeita à arquitectura e ao recheio interior. O belíssimo retábulo do Altar-mor, ainda barroco do  princípio do século XVIII-1719, a imagem de santo Estêvão, escultura do século XIII-XIV, uma relíquia da arte românica, o retábulo do Santo Cristo Crucificado, conjunto do século XVII-1686, o retábulo de Nossa 
Senhora do Rosário, da primeira metade do século XVIII,  a pia Batismal, tão rústica, quanto bela e significativa, da primitiva  Igreja da povoação, românica; o Porta Paz, escultura da segunda metade  do século XVIII, um rico Cálice de prata do século XVIII, o arco da Capela-mor. Tudo isto fala da vontade de um povo, que tudo fez com o sentido do sagrado e da  solenidade do Culto Divino.
Maravilhado com as explicações sobre a Igreja da minha terra, a sua arquitetura, a sua história, a história da sua arte, os estilos e o valor de cada alfaia religiosa, dei comigo a pensar como só agora foi possível ficar a saber tanta coisa que desconhecia sobre o templo onde fui Batizado, fiz a Primeira Comunhão, ajudei à Celebração Eucarística, que fez e continua a fazer parte da minha vida.
Na verdade, até só por esta lição de história da arte, relativamente à “Minha Igreja”, à Igreja da minha terra, que o Doutor António Mourinho proporcionou aos meus conterrâneos e ilustres convidados, oriundos de vários pontos da região e do país, chego à conclusão que, até só isso, não obstante o trabalho que me deu, o tempo que me ocupou, as adversidades que tive de ultrapassar, já valeu a pena ter ideia e levar por diante a publicação do livro e a cerimónia de apresentação naquele espaço Sagrado. Afinal, foi sempre, a partir da sua Igreja, que Frieira se perpetuou ao longo da sua história.
Neste domínio, entendo, até, que em cada igreja ou capela, deveria ser realizada uma ação explicativa individualizada, para o povo. Estou convencido que uma significativa parte dos fiéis, católicos praticantes, poderão saber muita coisa, mas serão desconhecedores da história de templos que frequentam, da simbologia de muitas caraterísticas específicas e do modo como se enquadram nos contextos arquitectónicos religiosos. Neste, como noutros âmbitos, a Igreja tem responsabilidades e um grande caminho a percorrer. O conhecimento dos ambientes físicos religiosos constituirá um valor acrescentado, assumindo especial significado no acolhimento e exercício da Fé. Se não conhecermos minimamente os Templos onde nos ENCONTRAMOS, há algo em nós, em que falhamos.