Viver sem tabaco!...

Por iniciativa da Organização Mundial de Saúde, para além do Dia Mundial sem Tabaco, comemorado a 31 de Maio de cada ano, comemora-se, na próxima sexta-feira, 17 de Novembro, o Dia Mundial do Não-Fumador. Trata-se de assinalar uma data no calendário anual, no sentido de sensibilizar as pessoas, sobretudo aquelas que fumam, para os malefícios do tabaco, ou seja, para os factores de risco associados, não esquecendo as que, não tendo o vício, acabam, também, por sofrer, na devida escala, dos efeitos nocivos do fumo do tabaco e derivados. Na verdade, se outros objetivos não estivessem subjacentes a este tipo de comemorações, no caso em apreço, só o facto de se falar com mais intensidade e objetividade dos factores de risco inerentes, já se torna compensador a vários níveis, assinalar esta data.
No sentido de tornar mais clara a minha posição sobre este assunto, devo dizer que não fumo, nem nunca fumei. Tenho, como todos teremos, amigos que fumam, mas resta-me a consolação de nenhum familiar próximo sofrer deste vício. Não obstante a posição sobre este tema, obviamente contra o ato de fumar, mas não contra quem fuma, isso não torna restritiva a interação positiva com os amigos dependentes. É certo que, por vezes, acabo por “sofrer” dos efeitos do fumo que paira no ar, nos ambientes onde até é proibido, mas que, na prática acaba por ser, informalmente, autorizado. Contudo, também entendo que, algumas vezes, os não fumadores, somos negligentemente tolerantes, principalmente quando o valor da afetividade e dos convívios tertuliantes, se tornam pontos de encontro, cultural e socialmente interessantes.
Da minha parte, até no cumprimento do meu dever cívico e dos valores que prezo, não me canso de alertar as pessoas em geral e os amigos em particular, para os malefícios do tabaco, reforçando a inequívoca verdade de que o mesmo está ligado às principais causas principais do cancro do pulmão, da doença pulmonar obstrutiva crónica, da doença cérebro-vascular, da irritação ocular, das vias aéreas superiores, da perda de paladar e olfato, bem como da osteoporose, entre outras, tornando-se, assim, uma das principais causas de morte prematura. Isto para não falar dos profundos efeitos negativos no caso das mulheres no decorrer de uma gravidez.
No contexto do vício do cigarro, do fumar ou não fumar, sendo certo que uma vida sem tabaco se torna muito mais saudável e agradável, quer para os fumadores ativos, quer para os passivos, é importante ter em conta que o seu consumo, para além do cheiro desagradável, da poluição do ambiente envolvente, tem um reflexo negativo na aparência pessoal, na boa disposição, no sorriso e na economia particular e nacional.
Se a nível mundial as estatísticas não são nada encorajadoras, no que respeita ao nosso país, a situação é, também, muito preocupante, uma vez que são diagnosticados, todos os anos, cerca de 4000 novos casos de cancro do pulmão, vindo a falecer, por este diagnóstico, cerca de 3600 pacientes.
Perante estes números, torna-se cada mais urgente continuar a promover campanhas informativas/educativas, de modo a sensibilizar as pessoas que fumam a deixarem de o fazer e aquelas que nunca se iniciaram no consumo, a nem sequer tentarem/experimentarem. É, sobretudo, fundamental educar e informar os jovens. E, neste domínio, as escolas tendo grande responsabilidade, devem assumir um papel educativo insubstituível.
Entendendo, até por experiência no meio profissional, que deixar de fumar nem sempre é fácil. Com efeito, torna-se determinante, para conseguir esse objetivo, a ajuda de familiares e amigos e, muitas vezes, o apoio médico, com particular responsabilidade para o Serviço Nacional de Saúde. Os benefícios serão, certamente, superiores os custos e a qualidade de vida mais apelativa que os sacrifícios.