Ernesto Rodrigues

Um Real Gabinete pujante

 
O 7.º Colóquio do Polo de Pesquisas Luso-Brasileiras do Real Gabinete Português de Leitura do Rio de Janeiro reuniu, entre 1 e 5 de Setembro, 160 conferencistas à volta de “Percursos interculturais luso-brasileiros: modos de pensar e fazer”, numa demonstração de invejável pujança, à imagem da coordenadora-geral, Gilda Santos.

Os lugares de Patrick Modiano, Nobel da Literatura

Após mais de oito anos como detective particular, ao lado de Hutte, patrão e amigo que decide gozar a reforma em Nice, o narrador vai dar início a uma investigação muito particular: saber quem é, donde veio, como se chama, qual foi o seu passado. «Não sou nada», lê-se no intróito. Uma amnésia roubou-lhe a memória quando, com Denise, procurava fugir à Segunda Guerra Mundial através da fronteira franco-suíça. Ambos enganados pelos passadores, e já separados, o nosso herói vagueia pelo branco da neve até retomar os antigos passos que façam luz sobre um optimismo crescente.

Gilda Santos, Belver, Brasil

Fomos encontrar, Teresa e eu, o nome de Belver encimando a casa da serra de Gilda Santos, em Araras, Petrópolis, a menos de duas horas do apartamento carioca da Gávea. É um condomínio fechado em silêncio e largueza de pulmões, e, no interior da moradia, sinais de viagens ou colecções cuidadas pela ex-professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde se doutorou sobre O Físico Prodigioso seniano. Desperta-me a atenção alto gargalo vencido em rolhas de cortiça, outras tantas garrafas de vinho bebido pelo raro enólogo que é o marido, Emmanoel.

Inês de Castro e D. Pedro em Bragança

Os amores de Pedro e Inês ondearam por esta cidade, onde lhes nasceu o segundo filho, D. João de Portugal e Castro. Os historiadores da terra não o reivindicavam, por ignorância; mas, fazendo de Fernão Lopes bíblia (mal interpretada), contestam o casamento do mítico par, acto que não passaria de mera tradição. Na dúvida, um romancista casa quem bem entende; mal não lhe fica, todavia, fundar-se em documentos, como fiz em A Casa de Bragança (2013), resumindo no Mensageiro de Bragança (20 e 27 de Junho de 2013) quanto penso sobre esse sacramento e filho que urge resgatar.

Língua Charra e Tratado do Petisco

Dois acontecimentos, com significado para a nossa terra, foram notícia em Lisboa, na semana passada: começou a ser distribuído o grande dicionário do falar transmontano e alto-duriense e foi lançado um tratado que vai para lá do petisco, ambos de autoria bragançana, que ficam bem numa biblioteca, ou, na falta dela, na cozinha.

O Lodo e as Estrelas

O meu Verão de 1975, após um semestre em França, foi dedicado a O Lodo e as Estrelas, do Padre Telmo Ferraz, agora justamente celebrado pelos conterrâneos de Bruçó. Ocupou-me a tal ponto, que só há duas entradas no diário da época:
«31 de Julho. O grupo amador A Máscara estreia O Lodo e as Estrelas, que adaptei da obra homónima [1960] do padre Telmo Ferraz: as condições sub-humanas em que vivem os construtores da barragem de Picote, nos finais de 50.

Manuel Clemente

Escrevo no domingo, 7 de Julho, durante a consagração, nos Jerónimos, do novo patriarca de Lisboa. Como a tarde está de ananases, refresco à leitura de Manuel Clemente, como assina as duas edições de Portugal e os Portugueses (Assírio & Alvim, 2008, 2009). Consta de dez peças: fecham duas entrevistas, seguindo-se a três artigos sobre “Religião na Europa”.

Roteiro inesiano

Deu Mensageiro de Bragança, nas páginas centrais da edição de 13 de Junho, o devido realce a uma sugestão do presidente da Câmara Municipal, A. Jorge Nunes, na sequência da apresentação do meu romance A Casa de Bragança: a criação de um roteiro inesiano.

Alicerces de futuro parte II

 
Indo da tradição à novidade, cumpre saudar como se veicula a expressão da liberdade, seja na Imprensa escrita, na precária televisão, nas rádios – e salientem-se as privadas.

Hungria e Portugal

Língua fino-úgrica, de matriz urálica, o húngaro não é fácil; mas, a pouco e pouco, podemos ganhar um espaço no coração de quase onze milhões de habitantes dentro das actuais fronteiras – cinco milhões no exterior −, sensíveis às atenções que lhes dispensam.