Ernesto Rodrigues

Amor de perdição ou amor da perdição?

O Cuidar e Sospirar [1483] [1] é «a composição colectiva mais extensa» do Cancioneiro Geral, de Garcia de Resende (1516). Este «longo processo judiciário em redondilhas» (p. 9-10), qual «fachada arquitectónica ou então como abertura musical e, seguramente, emblema evocativo do requinte da corte de D. João II nos começos do seu reinado» (p. 10), resume-se à disputa, em 3172 versos, sobre saber «qual era maior tormento / e dava mor sentimento» (v. 2416-7), se cuidar, ou suspirar. Sendo embora o nosso «primeiro inferno de amores» (p.


Francisco, leitor de Vieira

No dia 4 de Março, às 9 da manhã (hora do Vaticano), recebia o Papa Francisco delegação portuguesa que lhe ofertava os 30 volumes da Obra Completa de outro ilustre Jesuíta, o Padre António Vieira. Às 18 horas romanas, na igreja de Santo António dos Portugueses, onde Vieira pregara, o bispo Carlos de Azevedo apresentava essa colecção de sermões, cartas, profética, vária.


Amadeu Ferreira: um luxo

Padre, médico, professor: no discurso rural português, fazia-se diferença entre alma, corpo e espírito; entre vocação, enquanto chamamento do Alto, e profissão, arbitrada pelos homens. O mestre-escola nem sempre cursara, e bastava-se minimamente habilitado; médico ou físico podia ser um barbeiro sangrador, alguma discreta mezinheira. Já padre era um estado vinculado ao Além, exigindo, afora uma fé poderosa, doze anos penitentes, de indiferença às seduções do mundo e sacrificado estudo. Outros cursos venciam-se pela metade, ou nem isso.


Doces da nossa vida

Em dia de Natal, delicio-me a ler Virgílio Nogueiro Gomes, Doces da Nossa Vida. Segredos e Maravilhas da Doçaria Tradicional Portuguesa (Marcador, 2014). A página cheira bem, cada fotografia é de apetite. Seguindo conselho ‒ «Comam doces, mas não abusem.» (p. 218) ‒, não perco este pastel de nata, com vontade de segundo. Não tenho pão de ló, dormidos e económicos; ganchas e pitos só em Vila Real.


Doces da nossa vida

Em dia de Natal, delicio-me a ler Virgílio Nogueiro Gomes, Doces da Nossa Vida. Segredos e Maravilhas da Doçaria Tradicional Portuguesa (Marcador, 2014). A página cheira bem, cada fotografia é de apetite. Seguindo conselho ‒ «Comam doces, mas não abusem.» (p. 218) ‒, não perco este pastel de nata, com vontade de segundo. Não tenho pão de ló, dormidos e económicos; ganchas e pitos só em Vila Real.


Comidas conversadas

22 de Novembro: almoço de excepção, no Restaurante Nobre - da macedense Justa Nobre -, em Lisboa, para lançamento de António Manuel Monteiro, Comidas Conversadas. Memórias de Herança Transmontana, com que Virgílio Nogueiro Gomes decidiu inaugurar a Colecção Gastronomia & Cultura na Âncora Editora. Sem longos discursos, e sessão de autógrafos no fim, tivemos um sábado de encher peito e alma, bebendo, no meu caso, além de um Consensual, as «conversas gastrófilas» (p.