Esperança

Esperança é uma das três virtudes teologais, tão bem descrita pelo tão esquecido, como fecundo e fundamental prosador Padre Manuel Bernardes.
Se não nutro esperança na mais que merecida reabilitação operática (leitura e interpretação) do autor do monumento literário Nova Floresta, acredito no bom desempenho de Marcelo Rebelo de Sousa no cargo de Presidente da República. Vulgarmente diz-se: a esperança é a última a morrer. Ora, apesar das agruras da vida sou vitalistas, daí a crença no superior exercício do professor Marcelo, porque sim, porque não, porque ele pensa no julgamento da História.
Por um acaso oficial almocei uma vez com o seu pai, Dr. Baltasar Rebelo de Sousa, no Rio de Janeiro, estávamos em 1987, ao meu entusiasmo falador ele respondia pausadamente, sem sotaque, demonstrando grande conhecimento dos homens. O tom pachorrento dos seus comentários alteraram-se quando se falou no seu filho Marcelo, aí subiu a velocidade e o som das palavras por ele proferidas a enaltecerem os seus méritos e a profetizar: ele vai longe. E, está a ir.
Sabemos, sei, da nossa predisposição para tudo quanto representa «o sebastianismo», Dom Pedro V recebeu o cognome de esperançoso, tivemos um Presidente-Rei, esperamos, dia a dia, melhores dias, só que poucos conseguem sair do nevoeiro no qual reina a inveja, a mediocridade dourada, o deixa andar, o nacional-porreirismo como Salgueiro Maia gostava de afirmar.
O novel Presidente não se deixou enredar no nevoeiro, desde cedo deu nas vistas, múltiplas vezes a desagradar a gregos, troianos e espartanos, suscitou críticas de uns, o aplauso da maioria como ficou demonstrado na contagem dos votos.
Fundamento a esperança não só no acima referido, acrescento o evidente ou seja; a escolha dos conselheiros de Estado, dos chefes das duas casas, civil e militar, o seu posicionamento durante o interregno – eleição até à tomada de posse. Os vesgos de esquerda e de direita (os conceitos não desapareceram) podem estar furiosos, os não escolhidos despeitados, os nefelibatas nas nuvens, todos quantos atentam na governança das instituições reconhecem o acerto nas indigitações.
A nossa História regista escassos períodos de abastança generalizada, de felicidade a abranger a totalidade da população, nestes quase nove séculos de Nação independente andámos quase sempre a tentar tapar o corpo com manta demasiado curta. A periferia, a pobreza do solo, o isolamento obrigaram-nos a depender de terceiros, a emigrar. Continuamos a sair do País ao rebusco de melhores condições de vida. Temos de nos obrigar a romper a malha da apagada e vil tristeza, Marcelo pode ser ao artífice do renascimento e solidificação da Esperança. Assim seja, assim o espero. Bem o merecemos