Matematicamente pensando: Desempenho escolar

Promover a educação não é um exclusivo das instituições educativas, mas, em geral, são estas que têm maior responsabilidade no sucesso ou insucesso das pessoas que as frequentam. Dessas pessoas destaco os alunos e os respetivos resultados de aprendizagem, traduzidos em última análise em aprovações e reprovações. Se os resultados associados às aprovações são aceites com alguma naturalidade e agrado, o mesmo não acontece, nem pode acontecer, com as reprovações.
Com o título “OCDE. Alunos portugueses entre os que mais reprovam”, em http://expresso.sapo.pt/sociedade/2016-02-11-OCDE.-Alunos-portugueses-en..., pode ler-se: “A Confederação Nacional de Associação de Pais (Confap) tem vindo a defender um maior investimento nos alunos para inverter a cultura da retenção (chumbos), que também tem sido considerado pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) como o problema mais grave do sistema educativo. Segundo o CNE, os chumbos atingem cerca de 150 mil alunos do sistema de ensino (público e privado) e representam um custo de cerca de 600 milhões de euros, se se admitir que cada aluno custa ao Estado cerca de quatro mil euros por ano”.
Do parágrafo anterior podemos inferir, entre outros aspetos, que tanto os pais como o CNE assumem que a retenção de alunos é um problema grave, por outro lado evidencia que em cada ano há um elevadíssimo número de alunos que reprova, e que o Estado gasta sem retorno, aproximadamente 4000 euros por ano com cada aluno que reprova.
Torna-se evidente que cada reprovação é um projeto interrompido com enormes prejuízos para o aluno, para a família, para a instituição educativa e para o Estado. A continuação deste projeto implica perder o investimento de todos esses intervenientes no ano que o aluno reprova e começar tudo de novo no ano seguinte. As consequências de cada reprovação convidam à reflexão relativamente à procura de soluções para os alunos que não conseguem cumprir os objetivos mínimos que lhes garantam o sucesso educativo.
Devemos começar por desenvolver uma cultura que considere as instituições educativas essenciais para o desenvolvimento do ser humano e da sociedade em geral. Assim, é importante fazer acreditar aos mais novos que a escola como hoje existe é a consequência da evolução e de muito esforço de várias gerações. Uma das frases típicas de muitos pais das últimas décadas do século passado era esta “quero dar aos meus filhos o que os meus pais não me puderam dar a mim”, e o que queriam dar aos filhos era a possibilidade de frequentar a escola, de aprenderem mais e de irem tão longe nos estudos quanto fossem capazes.
Hoje é típico encontrar crianças completamente desmotivadas e pais, ou encarregados de educação, a desvalorizarem a escola. Penso que é um erro, com consequências imprevisíveis, desvalorizar a escola e o conhecimento. Não tenho dúvidas que se aprender fica dispendioso em tempo e dinheiro, muito mais dispendioso ficam os atos praticados como consequência da ignorância. Num país com tão elevada percentagem de desempregados, com tantos jovens à procura de emprego e com um ordenado mínimo de 500 euros, parece-me criminoso que cada aluno não se preocupe em aproveitar o esforço coletivo, disponibilizado pelo Estado para enriquecer o seu conhecimento e melhorar a sua educação.
Num mundo cada vez mais global, onde por vontade própria ou por necessidade é possível conhecer, viver ou trabalhar em grande parte dos países do mundo é fundamental incentivar os alunos a questionarem-se sobre para onde querem ir, o que querem fazer e como podem recuperar o tempo perdido.
Talvez uma boa forma de evitar o elevado número de reprovações consista em potenciar a educação, a ciência, a tecnologia e a inovação, fortalecer e dignificar as instituições educativas, e aumentar o nível educativo e cultural das famílias.
Acredito que se o aluno viver em contextos que valorizem o conhecimento, a escola e a suas relações com o quotidiano é mais fácil aumentar o interesse dos alunos por aprender e, consequentemente melhorar os seus resultados de aprendizagem.