Natal por dentro!...

Estamos a poucos dias do 25 de Dezembro. Data em que nós, os cristãos, celebramos o nascimento de CRISTO. 

O Natal.

É comum dizer-se que o Natal é todos os dias, ou quando “um homem quiser”, o que responsabiliza cada um de nós para a celebração do AMOR. Mas é importante que ninguém se esqueça do Natal de Dezembro. Do menino Jesus, que terá nascido num contexto de pobreza material e de humildade comportamental.

Deve ser esse Natal, o que tem feito história, que nos deve mobilizar e caraterizar a nossa forma de ser, estar e agir, pessoal, familiar e socialmente, aumentando a capacidade de motivação para espírito solidário, os afetos, as festas e celebrações religiosas inerentes.

Não obstante toda a envolvência religiosa, vive-se, hoje em dia, muito mais daquele que é o verdadeiro sentido do Natal, do “Jesus Menino”, ou seja, o natal comercial, da ostentação, da riqueza, do egoísmo, da inveja, de um materialismo doentio e de uma solidariedade aparente. Fruto de uma sociedade cada vez mais doente, mas desigual e sem referências positivas que sustentem um verdadeiro Natal Consciente!

Quer isto dizer que, em bom rigor, enquanto para uma boa parte dos cidadãos, a quadra natalícia não é mais do que um tempo de festa, de despesismo, do consumismo excedentário, agora mais magro, mas não solidário, para outros, e já são muitos, será um Natal repleto de muita miséria, desgraças familiares, consequentes do desemprego, e da falta de dinheiro, indispensável para assegurar alguma qualidade de vida. Sobretudo os idosos que, em número significativo, sofrem silenciosamente a tristeza da sua solidão, do abandono, da omissão.

Essencialmente, é bom não esquecer que existem muitos milhares de pessoas, famílias, de lares, que desesperam por não terem comida para os filhos, para já não falar de presentes que acabam por se tornar uma miragem inatingível, ainda que permaneçam no seu imaginário.

Vivem-se e sentem-se, assim, várias espécies de Natais, quando o Natal deveria ser só um e não apenas a 25 de Dezembro, mas todo o ano num espírito comum.

A celebração do Natal não deve ser vivida apenas por fora, mas sim por dentro, no interior de cada um, para o bem de todos.

Por isso, entre outros valores, deve implicar a valorização da ação e não da resignação, de atitudes concretas e procurando, não só nesta quadra, promover e louvar o trabalho efetivo na luta contra a fome dos mais carenciados, mesmo quando esta é só ausência de afeto, a desigualdade social e laboral, a injustiça, a segregação e a desumanização da cidadania.

Numa sociedade cada vez mais desequilibrada, económica, social e culturalmente, é importante que não se perca a noção da dignidade humana, da solidariedade, da compreensão do “outro”. O que significa que o espírito de Natal, não poder ser verdadeiramente vivido por fora se não for sentido por dentro.

E, se assim não for, custa-me a acreditar num Natal de luzes a brilhar, enquanto houver pessoas sem alegria e com a barriga vazia.

Um bom Natal e Felizes Festas para todos. Igual e solidariamente.