A violência política contra a liberdade educativa civil

No mundo ocidental, com o apoio do dinheiro das fabulosas fundações e corporações norte-americanas, e a cumplicidade dos Estados de democracia pluralista que são «infiltrados» por essa propaganda, continua em grande força a execução da estratégia de Kissinger contra a família tradicional e a natalidade, de que o lobby LGTB é um dos mais activos exércitos. Em democracia pluralista e à escala internacional, não há memória histórica de um combate cultural (Kulturkampf) e educativo tão «feroz», e com uma tão ampla e forte base financeira internacional. Até organismos internacionais estão já dominados por esta ideologia, que não tem base de direito natural nem esteve presente, sequer, na redacção das recentes Declarações de Direitos Humanos e da nossa Constituição.
 
2. Depois dos episódios do famigerado Relatório Estrela, no Parlamento Europeu, que foram seguidos do Relatório Lunacek, surge agora a notícia fresquinha de que também no Brasil se usa a mesma táctica da repetição das tentativas. Um deputado pretende retomar a discussão parlamentar do Plano Nacional de Educação que constava de um anterior Projecto de Lei 8035/2010, em que se inclui a reinserção da chamada «ideologia de género» como objectivo da educação brasileira.
 
3. No seu famoso livro, intitulado “A situação espiritual do nosso tempo”, escrito em 1930 nas vésperas da ascensão do nazismo, Karl Jaspers (1883-1969), um forte pensador que, de modo independente de uma confissão cristã, reflectiu seriamente sobre a condição humana e o sentido da vida do homem na sua situação epocal, defendeu o humanismo para a atmosfera cultural da época, então muito marcada pela visão política positivista da sociedade de massas e pela visão filosófica existencialista, tudo no quadro da ascendência do nazismo; e reconheceu, para salvar o homem e a humanidade na inserção social da tradição, a necessidade de um «salto para a transcendência» como oxigénio do próprio humanismo» [cf. Karl Jaspers, “A situação espiritual do nosso tempo”, Moraes Editores, Lisboa, 1968, p. 322].
 
4. Na economia das reflexões que nos deixou neste livro, Jaspers deu muita importância aos (por assim dizer) factores culturais, como a tradição familiar, a escola, a política, a comunicação social. Grande vulto científico da psiquiatria e da psicologia, e vindo mais tarde à reflexão filosófica de elevado nível, Jaspers abre o capítulo sobre «o significado da educação» com estas palavras: «o homem não é apenas um produto de hereditariedade biológica mas, essencialmente e a cada momento, devir condicionado pela tradição. Educar é, pois, inserir o indivíduo neste processo que em cada caso se repete, mediante a historicidade do mundo em que cresce, a formação administrada pela família e pela escola, instituições que livremente frequenta, e, por fim, a contínua experiência pessoal. Este somatório de vivências, ligado à sua actividade pessoal, constitui uma formação e como que uma segunda natureza. É a educação que leva o indivíduo, por intermédio do seu próprio ser, a uma comparticipação na totalidade» [ivi, pp. 158-159].