A opinião de ...

PUBLICIDADE - A ALAVANCA DO SUCESSO

 
De um modo geral, a publicidade na nossa imprensa escrita é pouco criativa. A função expressiva não é devidamente explorada, e todos os dias somos confrontados com a mesma linguagem e o mesmo modo de transmitir mensagens.
O aspecto gráfico, a simbologia, a cor e as palavras parecem estar mesmo gastas. Se pegarmos num jornal e passarmos uma vista de olhos pelos anúncios, impressionamo-nos com a sua similitude, o que nos faz imediatamente pensar em vulgaridade e desperdício.
 
O produto publicitado deve ser enquadrado no contexto geral, tendo sempre em vista a função e o fim a atingir. O criativo deve ter sensibilidade suficiente para estabelecer e explorar as riquezas implícitas e explícitas do produto a consumir. A publicidade que mais resulta é precisamente aquela que nos ajuda a pensar. Devido ao esforço mental, a mensagem fica retida durante muito mais tempo. A função do criativo é descobrir e explorar o que é óbvio. Vai, por isso, precisar de mesclar números com letras, sinais com imagens, tradição com modernismo, esforço com passividade, amor e paixão com ódio, alegria e júbilo com tristeza, personalização com massificação, e por aí fora. Note-se que estou a falar da imprensa regional, não das televisões, nem da internet. O Ricardo Araújo Pereira não publicita na imprensa regional, mas apoia-se sobremaneira no que acima é referido.
 
O publicitário precisa de ter uma formação ainda mais abrangente do que o jornalista. O objectivo daquele é fazer vender o produto, enquanto que o jornalista relata o facto, podendo ou não analisá-lo. O jornalista tem de ser sincero. O homem do “marketing” necessita de superar a sua sinceridade, mas sem descurar a verdade.
 
Por se movimentar num mundo que supera o real, a publicidade pode alienar e fazer perder o sentido do decoro. A DECO, a maior associação de defesa dos consumidores,  utiliza, muitas vezes, publicidade pouco real, ou no mínimo muito aguerrida. O criativo, para desenvolver o seu trabalho, precisa de estar consciente dos factores e aspectos relacionados com aquilo que está a (re)criar. A linguagem ou linguagens, a sensibilidade a estímulos, as imagens e referências possíveis, são condições indispensáveis para o êxito pretendido. Dita a experiência que o criativo, junto do cliente, deve ser artístico, habilidoso e conseguir a máxima liberdade, para que, infringindo os códigos e as leis “correntes”, desenvolva as suas capacidades e se transforme num verdadeiro criador.
 
Sabido como é que a linguagem poética tem muitas afinidades com a linguagem publicitária, é triste constatar quão raro se faz essa ligação. Poucas vezes a metáfora se impõe à comparação.
 
A exploração da trilogia acção-espaço-tempo, não se repercute muitas vezes no trabalho final. É gratificante ver, de vez em quando, uma ou outra excepção. Quando tal acontece, os resultados são sempre muito compensadores e até apetece mesmo comprar o produto, o fruto do trabalho criativo e inteligente. De facto, o importante é a (re)criação.
 
Perante tudo isto que fazer? Muito simples: seleccionar meia dúzia de ideias deste escritozinho e descobrir um bom criativo para estudar e desenvolver a melhor maneira de dar a conhecer a sua empresa, os seus produtos, os seus serviços. Se fizer isso e anunciar nos mais acessíveis jornais que são os regionais, nem imagina os ganhos. No mínimo, serão milhares de pessoas a olhar para o que você quer.
 
Faça, pois, publicidade a sério!
 
São já muitos os que sabem que a publicidade é a alavanca do sucesso

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3613