A opinião de ...

Governo Sombra e a penumbra!...

Confesso que  sou  um espetador assíduo  do programa da TVI 24, “Governo  Sombra”. Sou, aliás, um “consumidor” de programas onde o debate, a informação e a formação aconteçam, esclareçam e acrescentem conhecimento. Contudo, no que diz respeito à massiva programação “futeboleira”, esta pouco me prende, até porque quase nada se aprende. Para além de a considerar muito seletiva. Só os “grandes”, apenas três clubes e do litoral, têm representantes (por vezes, alguns, pouco “educados”) com os tempos de antena em conformidade. Os restantes são tratados como meros “apêndices”.
Assim sendo, aguardei com entusiasmo e grande expetativa a realização do “Governo Sombra”, pela primeira vez na capital nordestina, no Teatro Municipal de Bragança!... Diga-se, uma infra-estrutura de nível, a fazer inveja a muitas outras capitais de distrito. Tal como cerca de quatro centenas de brigantinos, seguidores ou não do programa em causa, marquei presença, não perdendo a oportunidade de presenciar ao vivo os protagonistas, a envolvência, a postura e interatividade (infelizmente, pouca) com a assistência.
Posso  dizer que este programa  se pautou,   genericamente, pelo registo  habitual. Porém, o tempo de antena dedicado  à  atualidade do Sporting, além de, na minha perspetiva, ser em demasia, pareceu-me, de algum modo, contraditório com a opinião ali expressa pelos protagonistas em relação às mediatizações da “bola”. É certo que foram evidenciadas considerações importantes no que respeita à atualidade desportiva e política, bem como à miscelânea entre ambas. E se na parte final houve ainda tempo para falar da problemática internacional da nova capital de Israel, não é menos verdade que Bragança, a região e o Festival Literário acabaram por passar um pouco ao “lado”, não obstante ser ainda evidenciado o arranque do Movimento pelo Interior, em Lisboa, o que além de ser um mau exemplo se apresenta também como um contra-senso.
Bragança e a região mereciam uma outra atenção e espaço na programação!...
Afinal a nossa  cidade, o nosso Nordeste, não reduz à gastronomia (sem menosprezo para esta). Somos hospitaleiros por natureza e gostamos de tratar bem que nos visita. Mas, inegavelmente, isso é apenas uma parte do muito que somos e da qualidade sustentamos em diversos domínios.
Temos em Bragança e na região, muita história para saber e contar, muitas coisas  positivas que  nos diferenciam das demais; Instituições públicas e privadas, empresas, ciência, massa crítica, escritores, doutores e muitos estudantes que aqui se formam em termos académicos, socializam e educam para a vida, oriundos do resto do mundo  e...'arredores'!... Um Nordeste que  sustentadamente se 'firma' e afirma no contexto regional, nacional  e internacional.
Por isso, sem muito  esforço, os intervenientes bem poderiam ter enfatizado um pouco mais a cidade e falar dos problemas que afligem este interior.
Por outro lado, sobretudo no final da gravação, não  ficava nada mal aos protagonistas disponibilizarem-se para interagir com os seus fãs, com o público  que, atento e sempre interativo, encheu o Teatro Municipal.
Embora desconheça os contextos contratuais  da realização do programa em Bragança, louvando a iniciativa, não  posso deixar  de considerar que,   provavelmente, a oportunidade  poderia ter sido mais bem aproveitada.
Mesmo falando do Sporting, poderiam, por exemplo, ter-se lembrado que o jogador, Podence, é oriundo de Macedo do Mato, uma das freguesias do concelho.
Quanto à componente literária, quando Pedro Mexia foi interpelado para falar sobre um escritor da região, não lhe ficava nada mal ter optado por um brigantino, ou nordestino, uma vez que o programa acontecia em Bragança e não em Vila Real (realçando o respeito por esta cidade transmontana), isto porque são vários os escritores que esta “Terra do Reino” viu nascer.
Enfim, a ideia de o “Governo Sombra”, foi interessante, mas deveria ter sido criado um espaço e um ambiente propícios para que o público e os intelectuais “artistas” pudessem conviver, e não só para bater e receber palmas.
Pena que, terminada a gravação, não ficasse no palco nem “Governo”, nem “Sombra”, mas simplesmente a “penumbra”! …

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