Desporto // Ciclismo

Ricardo Vilela “orgulhoso” por receber a Volta em casa

António G. Rodrigues em Qui, 30/07/2015 - 14:11

Aos 27 anos, Ricardo Vilela concentra as esperanças transmontanas de um bom resultado na Volta a Portugal. É um dos dois portugueses a correr em equipas estrangeiras (Caja Rural) e chega a esta prova com o estatuto de líder. No entanto, a ansiada presença na Volta a Espanha, no final de agosto, pode obrigá-lo a levantar o pé.

“Vou sem um objetivo definido, porque estamos com um pré-seleção para a Volta a Espanha e podendo estar na Vuelta não posso estar a 100% na Volta a Portugal. São provas distintas, ambas bastante complicadas, mas a Vuelta são três semanas, com 21 dias de competição consecutivos, e é uma prova para, caso seja convocado, tenho de estar bem. Fazer uma primeira fase onde vou tentar estar o melhor possível e, depois, na segunda fase, depois do dia de descanso, vamos ver se terei que levantar o pé e perder algum tempo para ir recuperando forças, pois irão faltar cerca de 20 dias para a Vuelta. Mas tudo depende. Vamos ver como estamos na geral e quais as ordens do diretor. Mas o ritmo competitivo é sempre bom”, confirma.

No entanto, os planos podem alterar-se mediante o desenrolar da corrida. Por exemplo, se chegar ao dia de descanso de amarelo, lá se vão os planos por água abaixo. “Dessa forma não poderia levantar o pé. Tinha que me agarrar com tudo o que tivesse para manter a camisola, mas será difícil. Não me encontro tão bem como nos outros anos, porque a preparação foi diferente. Se temos em vista a Volta a Espanha não posso aparecer aqui a 100%, mas penso que na primeira semana vou estar bem. Depois vamos avaliando ao longo da prova”, promete o ciclista brigantino, que mora a 500 metros do percurso.
“Emoção correr em casa”

Sobre a etapa de hoje, conhece o percurso como poucos. “Claro. Conheço o percurso não só dessa, mas de todas as etapas. Não há nenhuma que não conheça. É uma Volta bastante dura, que se deverá decidir praticamente na primeira semana e no contrarrelógio, já que na etapa da torre o pelotão entra na Covilhã muito compacto e não apresenta muitas dificuldades até lá, apesar do alto de Teixeira. Para os principais candidatos essa etapa não fará tanta diferença como o crono. Temos a feliz sorte de ter esta chegada a Bragança, que é uma etapa bastante dura e que passa pelo centro da cidade, o que será muito bom para o público”, frisa. E será especial para si. “De certa forma sim. Mas não me preocupa nem me põe nervoso, pelo contrário, alegra-me. Pelo facto de os organizadores da Volta apostarem não só em Bragança, mas também no Nordeste Transmontano.
 
“Primeiro dia de glória ou ruína”
 
Quanto à primeira etapa da Volta, Ricardo Vilela não esconde as dificuldades que espera. “São 200km de etapa e se estiver muito calor na zona de Foz Côa em direção ao alto de Bornes pode fazer mossa, porque um descuido aí pode deixar-nos muito desidratados e ‘fundidos’ (sem energia) na chegada a Bragança. É o primeiro dia de competição e tanto pode ser de glória como de ruina”, garante o ciclista de 27 anos, que parte com o dorsal 61..
Depois da chegada a Bragança, com entrada pelas Cantarias, o pelotão passa uma primeira vez na meta e, depois, segue em direção ao S. Bartolomeu. Mas o ciclista da terra confessa que “não acrescenta qualquer dificuldade ao percurso”. “É uma questão meramente turística para mostrar a cidade e não fará qualquer diferença na etapa”, garante.

Por outro lado, espera-se uma chegada ao sprint. Por isso, não será uma batalha para Ricardo Vilela.
“Dificilmente. Quem se aventurar numa fuga em Bragança tem os dias contados, porque não é uma etapa que possa chegar uma fuga. Mas penso que para uma equipa como a Tavira, com corredores como o Manuel Cardos, tem aqui uma das poucas oportunidades de vitória na etapa. Terão que saber aproveitar”, diz.
Por isso, rejeita notoriedade.
“É o primeiro dia de prova e é preciso economizar energias para as etapas que se seguem, como por exemplo na serra do Larouco, onde pode chegar um grupo reduzido, ou na Sra. Da Graça que todos sabem ser muito dura ou até mesmo em Fafe, cuja fase final não é tão fácil como se julga. E até a Sta. Luzia, que apesar de ser uma etapa fácil, tem cerca de 5km de empedrado que custa sempre bastante e pode fazer diferenças. Eu vou correr sempre dia-a-dia e avaliando como me estou a sentir”, explica.

Passagem traiçoeira pelo centro de Bragança

Sobre a etapa de hoje, Ricardo Vilela nota que a parte mais bonita “será a passagem na estrada do Turismo com o castelo do lado esquerdo”. “A passagem pela zona histórica. A rua do 5 outubro, não só pelo empedrado, não será tão bonita, porque é bastante perigosa e para uma primeira etapa é bastante nervosa. Mal cabe um carro, quanto mais um pelotão com cerca de 150 ciclistas, que enchia bem uma Av. Sá Carneiro afunilar na rua 5 de outubro. Esses 300 metros de descida serão, a par da parte final da etapa onde se segue a todo o gás e não se terá cuidado com a colocação, são as partes mais complicadas. Todos querem estar na frente e pode haver quedas”, avisa.

Por conhecer tão bem o percurso, frisa que nem precisa de treinar. “Vivo cá. Não é difícil. Se for uma etapa que que chega rápido pode haver quedas e é preciso estar bem posicionado e atento”.

Esta é uma etapa traiçoeira por tradição e “não é só pelo traçado”. É um terreno em que não se rola. É sempre sobe-desce. Não é fácil. Ainda para mais com um calor seco, sem brisas. O que se pode tornar pior do que uma montanha. Isto obriga a muito desgaste e numa primeira etapa torna-se muito complicado. Esta toda a gente relaxada antes da Volta e começa logo com uma tirada de 200km mais um final abrasador. É complicado”, sustenta o corredor brigantino.

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