Bragança em Matosinhos… Na Tertúlia do Mestre Zé!...

É comum dizer-se que o mundo é pequeno. E, nesta perspetiva, Portugal é muito mais pequeno, ainda. Consequentemente, neste contexto, quanto mais as vias e processos de comunicação/globalização evoluem e se tornam facilitadores da aproximação entre as pessoas, mais as dinâmicas interactivas se desenvolvem, favorecendo o conhecimento, a partilha e a sustentabilidade afetiva.
De entre muitas outras formas de comunicar, de fomentar a partilha, a comunhão e até a convergência, nos relacionamentos humanos,  regiões e países, tem particular singularidade e importância, o que acontece à volta de uma mesa, sobretudo quando se trata de comer. Com efeito, decorrente dos ambientes criados em contextos gastronómicos, fomenta-se o conhecimento, a resolução de problemas, a realização de negócios, o ponto de partida para novos encontros e até evoluções afetivas. E como o melhor que podemos dar a quem connosco convive e partilha o mesmo espaço, é o tempo, é estar juntos, ouvir, entender, aprender, ser ouvido e ser atendido, nada melhor do que aproveitar o contexto  que o degustar de uma refeição nos proporciona.
Ora, foi precisamente com este espírito que, a convite do presidente da respetiva direção, José Morreia,  presidi, no passado dia 28 de Janeiro, sábado, na condição de Confrade-mor, da Confraria do Butelo e da Casula, ao 45.º almoço da Tertúlia do Mestre Zé, em Leça da Palmeira/Matosinhos.
Entre muitos outros eventos que aquela dinâmica organização realiza, neste caso tratou-se de mais um encontro gastronómico, o 45.º, que acontece sempre por esta altura do inverno,  no restaurante Chanquinhas, em Leça da Palmeira, no qual participaram cerca de 70 convivas.  Assim,  os membros da designada Tertúlia do Mestre Zé, e convidados,  fazem  a devida homenagem ao Butelo e às Casulas, iguaria  singular,  típica da terra fria nordestina, muito apreciada/valorizada, mesmo fora dela. E esta é, sem dúvida, uma excelente forma de divulgar a nossa região e a sua genuína gastronomia, bem como de potenciar o encontro entre os nordestinos/transmontanos e não só, que apreciam o Butelo e as Casulas, complementados com os outros produtos da nossa terra.
Não obstante o facto da deslocação propositada, por aquilo que vi e senti, durante aquele almoço de homenagem ao Butelo e à Casula, considero que foi gratificante, não dando o tempo por perdido, mas sim muito valorizado.
Isto, sobretudo, porque entendo que é importante fomentar hábitos que potenciem o encontro, que atraiam a simpatia e fomentem a empatia, fazendo de nós, também, pessoas mais simpáticas, disponíveis e participativas, valorizando a saudável convivência, sustentada na afetividade construída na base do respeito e do significado positivo das diferentes origens, situações sociais ou profissionais, pontos de vista e filosofias de vida. Entendendo, também, que não devem subsistir dúvidas quanto à importância de valorizar o que une, fazendo com que organizações associativas sejam fontes de entusiasmo e de vida ativa, que ajudem o mundo e as pessoas a encarar o que nos rodeia e aflige, de forma positiva e construtiva, devendo ser essa uma forma de estar, ser e fazer acontecer.
Em boa hora, pois, em 1971,   Eduardo Marques e Virgílio Pires, dois mirandeses,  funcionários das Finanças, no Porto, resolveram comprar um porco, dá-lo a criar a uma familiar de Brunhosinho e após a matança fazer butelos. Assim começaram em 1972 os almoços de butelos, realizados todos os anos, sempre no distrito do Porto, daí surgindo a conhecida e reconhecida Tertúlia do Mestre Zé