A MÃE

Quando se fala da mulher, deverá falar-se com todo o respeito, cuidado e admiração, porque estamos a falar do ser humano mais sensível, mais perfeito e mais delicado. Sobretudo se é mãe: ela transfere para o embalo do colo que transborda de ternura, o fruto da semente que justifica e faz avançar a Humanidade, enquanto lhe oferece o amor, a educação e a doçura que, no momento de maior encanto daquele embalo, dão vida à verdade, à felicidade e à alegria.  
A mãe, com o seu intenso e penetrante olhar e os seus braços protetores, tal como a águia que do alto, vigia os filhos para afastar o perigo, segue e orienta os passos daquele que ama nos caminhos sinuosos e poeirentos, quando o sol abrasa; nos sinuosos e lamacentos, se a chuva cai; na armadilha insinuante que a vida cria; e os que levam ao precipício que seduz, hipnotiza e faz cair, sempre que a curiosidade, a inocência e a inexperiência requerem a melhor proteção.
A mãe transporta a beleza da flor, a candura da açucena e o cheiro do prado florido. O seu amor embala na primavera; leva a crescer no verão; orienta o sonho no outono e suplica brandura ao inverno.
Quando a mãe, na luz do seu olhar, leva a tranquilidade ao olhar inquieto do filho, faz-lhe saber que a paz não admite hesitações e só vence pela coragem e pela melhor determinação.
Se é ferida, reprime as lágrimas; se é reconhecida, é fonte de lágrimas; e se ajuda, faz apelo às suas forças. Para si pede apenas atenção, quando, incompreendida e exausta, não vê um ombro amigo em que possa encostar a cabeça.
No gerar o amor, não exige, não reclama; e sabe pedir perdão, quando erra.
Ela ampara, alimenta e guia, com a delicadeza criada num suave beijo, o filho que deixa os seus braços e parte para a aventura da caminhada desconhecida. Toda ela rejubila perante a boa notícia desse filho; e transforma-se no vivo lamento, quando o seu coração palpita e reclama essa notícia, se o ondear do vento não vem depositar-lha nas mãos que abençoam.
É que tanto o júbilo como a tristeza da mãe exigem dela a maior dádiva que é permitido imaginar: nela vive um único pensamento personificado no filho. E neste pensamento, fruto da maior potencialidade do amor, fala sem medo ao Universo.
Por isso, pede ao sol que o ilumine; às estrelas que o guiem; suavidade aos caminhos que terá de percorrer; ao mar pede acalmia; à aridez do deserto, o mais verdejante e reconfortante oásis; à noite, o encanto do luar; ao vento, à chuva e ao frio, o melhor abrigo; ao labirinto e à selvajaria da floresta, o rumo certo e o livre movimento; à traição e à violência, a verdade e a amizade.
Pede também para o filho a sabedoria, a pureza, a coragem, a bondade no servir e no dar, a humildade no pedir, o discernimento no pensar, a moderação e a imparcialidade no decidir.
Pede aos povos que evitem a guerra, a fome, a pobreza, a falsidade, a escravidão, a intranquilidade, a tirania e o sofrimento para que não levem a enredar-se-lhe a vida; e que a solidariedade e a igualdade estejam presentes nos momentos que conduzem à angústia.
Sobrevivendo ao perigo, ensina-lhe a livrar-se do perigo; libertando-se, dá-lhe a liberdade; alegrando-se, transmite-lhe a alegria. Mas, se chorar, tudo fará para evitar que o filho chore.
Em suma, é pela mãe que poderemos conhecer o início e o fim da nossa História; é pela mãe que saberemos compreender o segredo e a força que sustentam a Humanidade!