Agosto: mês das festas

Em Agosto, as nossas aldeias recuperam a vitalidade, que décadas de emigração lhes roubaram. As ruas fervilham de gente, que regressa às suas terras de origem, para passar as suas férias. Vêm dos mais diversos pontos do país, sobretudo do litoral, e dos países, onde encontraram o trabalho, que na sua terra, lhes foi negado.
Para aproveitar a afluência de emigrantes e migrantes, muitas das nossas localidades transladaram para este mês a sua festa anual. Muitos dos que estão fora aproveitam, também, este mês para celebrar o seu casamento ou fazer o batizado dos seus filhos. Com tantas festas, casamentos e batizados, os sacerdotes da nossa diocese, sobretudo aqueles que têm ao seu encargo um número considerável de paróquias, têm uma agenda preenchida e muita dificuldade em dar resposta a todas solicitações. Não é fácil atender a tantas exigências e, ao mesmo tempo, preocuparem-se em purificar e renovar tradições, algumas até contrárias ao espírito evangélico.
Pensemos nas fitas dos andores, que em algumas localidades, ainda exibem avultadas quantias, em total contradição com o que recomenda Jesus Cristo aos seus discípulos: “Quando deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita”. (Mt. 6, 3)
Também, muito há a fazer, para que as nossas procissões deixem de ser espetáculos folclóricos, a que se assiste, com mais ou menos comoção, e se transformem numa experiência espiritual com sentido. Uma procissão é uma peregrinação, em que a atividade exterior é acompanhada, e enriquecida, pelo dinamismo interior. Caminhamos, em peregrinação, atrás das imagens dos santos, da Virgem Maria ou do próprio Jesus Cristo, para significarmos o nosso desejo sincero de os imitar na peregrinação da nossa vida, em direção à casa do Pai.
Felizmente, a diocese está dotada de normas precisas para a celebração e vivência das festas. Falta a necessária conversão pessoal e comunitária das nossas gentes, para que essa legislação seja, mais do que aplicada, espiritualmente assumida e vivida. Convém que a Vigararia para a Ação Pastoral esteja atenta a estas realidades e encontre formas de ajudar o Povo de Deus, que vive e convive na Diocese de Bragança-Miranda, a melhor celebrar e viver espiritualmente as suas festividades. Para isso devem também concorrer e colaborar todos os organismos da diocese, em particular o Secretariado para a pastoral social e a mobilidade humana – porque de turismo religioso se trata e dada a confluência e a movimentação de muitos migrantes – bem como, o Secretariado da Liturgia, que também o é da Espiritualidade.