Agricultura no meio dela*

Quem quis matar a nossa agricultura? Quem sugou o melhor que os nossos agricultores sabem produzir? Pois se eles são mais velhos e portanto mais experientes, porque se vêem as suas terras ao abandono? Será por força do aliciamento externo através de subsídios sub-reptícios? Na verdade, volvidos alguns anos, os ricos da Europa acabaram por empobrecer usurariamente o nosso mundo rural. Auguram-se melhores dias?
O estrangeiro fino, acolitado por governos governados por multimilionários e profissionais da política, ditou as regras, impondo as estratégicas que mais lhe convêm. É claro que atribuíram e atribuem subsídios, mas o objectivo é colocarem cá os seus produtos artificiais, mais baratos mas sem qualidade e sabor por aí além. As principais economias deste continente traçaram estratégias de tal modo penalizadoras para nós, que acabaram por nos conquistar com muita manha e astúcia.
A experiência é a mãe da sabedoria. Conhecimentos e vivências transmitidos de geração em geração deveriam dar saborosos frutos. Se os agricultores têm a experiência (e ainda muitas terras), qual a razão porque têm vindo a empobrecer, sendo que o normal, devido à nossa excelente qualidade de muitos produtos, seria enriquecerem? Onde está o óbice deste deficit? Quem manda em Portugal? Quem são os astutos?
O eterno retorno está muito presente nas investidas da vida. É por isto que a roda está sempre a rodar e as astúcias antigas vêm a lume. A política agrícola dos especuladores parece querer esfumar-se AGORA. Digo isto porque, com energia, a Ministra da Agricultura, Assunção Cristas, afirmou recentemente em Macedo de Cavaleiros que quer pôr toda a terra a produzir. É um óptimo retorno que só poderá ser aplaudido se devidamente implementado, o que parece tarefa difícil depois de tanto abandono, muito por causa dos subsídios. Irá por certo baixar o desemprego com a migração para o interior? As estruturas de educação, saúde, justiça, segurança social, emprego, etc. serão adaptadas ao incremento da população?
“A sapiência da charrua da ladeira” devia permitir prósperas culturas, como outrora ocorria quase todos os anos. Se a ladeira for muito inclinada, devem ser plantadas as árvores mais apropriadas, tendo sempre em mente os aspectos climáticos. Os idosos têm o empirismo, o antigo e o actual, para ararem os campos da melhor forma.  A investigação científica deve estar a postos e sempre pronta a ajudar. Já existem iniciativas neste domínio, o que é de salientar e aplaudir.
“O ovo da canoa” pode ter relação directa com a pesca artesanal. Outrora, esta actividade marítima (temos a maior costa atlântica da Europa) dava o pão às famílias menos abastadas. O mar foi e é a nossa maior riqueza. Porque se deixou o sal? É reconhecido que nas nossas águas nadam os melhores peixes. A frota pesqueira é abafada no mar ou em terra? E será que em tanto mar não temos petróleo ou outros combustíveis? Os pescadores trabalham intensamente mas não aquecem as mãos.
“Bebo a erva alta por uma fenda” envia-nos para as inúmeras florestas, todos os anos vitimadas pelo fogo. Sempre que uma área arde, deveria ser obrigatório (no terreno e no papel) replantar e amanhar os solos. No meio das chamas há sempre a esperteza da venda da madeira barata. Meu Deus, porque há sempre quem se aproveite da desgraça alheia? “Bebo” porque sou um amante da seiva da natureza, das plantas. “Fenda” remete para a desgraça das matas e também para os caules e as folhas das ervas.
 
*crise