Bragança e os Investimentos Anunciados

Fruto dos ventos de mudança, do “tempo novo”, eis que a autarquia bragançana e o actual governo, invertendo uma tendência de mais de 40 anos, parecem, enfim, querer levar à letra o grande desígnio da coesão territorial e das simetrias regionais. Um propósito que, para nós, naturais desta terra, constitui um motivo de grande satisfação.
O fenómeno da desertificação no concelho de Bragança deve-se, entre outros factores, à ausência de uma política de incentivo ao investimento privado, à vergonhosa falta de equidade na distribuição dos fundos comunitários por parte do poder central (a que os nossos eleitos, cá da terra, nunca se opuseram) e, por razões puramente ideológicas, ao encerramento de dezenas de serviços públicos na última década.
Há hoje um conjunto significativo de empresas que pretendem instalar-se em Bragança, não só pelos incentivos dados pela autarquia, mas porque esta cidade suscita inegáveis motivos de interesse: uma atractividade a que não é alheio o prestigio de que goza o seu Instituto Politécnico, o investimento na melhoria das acessibilidades, a existência de um número considerável de infra - estruturas criadas nos últimos anos, uma população jovem muito qualificada e um acervo cultural e patrimonial digno das grandes cidades.
Se houvesse dúvidas quanto à ideia de Bragança ter potencial para criar riqueza com origem em investimento privado, a multinacional francesa que dá pelo nome de Faurecia, a maior empregadora e exportadora do concelho de Bragança, garantindo 750 postos de trabalho, e um volume de vendas de mais de 300 milhões de euros, fez o favor de as dissipar, ao contemplar este concelho com uma das seis unidades que operam em Portugal – uma escolha honrosa para todos nós.
Ainda que, como bragançano, acredite ser possível, numa economia cada vez mais globalizada e competitiva, esta região assegurar o dinamismo económico capaz de atrair empresas e fixar os seus, garantindo-lhes um futuro com esperança, não é menos verdade que essa aposta só poderá ser ganha, se os projectos de investimento em vista forem complementados, nesta região predominantemente agrícola, com incrementos ao sector agro – pecuário, cada vez mais depauperado e com menos “seguidores”, pela falta de incentivos.
            Há que reconhecer, pois, que muito do dinamismo a que hoje assistimos no concelho de Bragança – cujas sementes, é preciso dizê-lo, foram lançadas pelo Eng.º Jorge Nunes -, que resulta do espevitar do sector industrial, da oferta cultural  e desportiva, da valorização dos produtos regionais, que motivam a criação de múltiplos eventos gastronómicos, é potenciado e promovido pelo município; o que significa que a edilidade se rodeia de gente competente e empenhada.
Acreditando, pois, nesta receita reversiva, não podia deixar de sugerir ao edil da minha cidade, Dr. Hernâni Dias, e na perspectiva de um mais abrangente leque de ofertas para a montra da atractividade, a ideia da criação de um centro de estágio desportivo, da construção de um pavilhão desportivo coberto e de um campo de futebol relvado; de pôr a hipótese de construir uma pista de motocross, com vista à realização de provas internacionais, como acontece na vila de Freixo de Espada à Cinta; de recuperar aquele que considero ter sido, em termos de cartaz, o mais importante e prestigiado evento desportivo realizado em Bragança, que conheceu apenas uma edição: o Torneio Internacional de futebol juvenil.
            Lançados os dados, e havendo uma declarada vontade política de contrariar a inevitabilidade, tudo aponta para que, em breve, a vida desta gente se torne mais facilitada. E tal só pode acontecer, se a dinâmica da cidade e do concelho não dispensar o contributo de todas estas vertentes.