Mensageiro de Bragança - uma vida...

O presente escrito objectiva, de sorte tão singela quanto sincera, felicitar o nosso Mensageiro pelos seus 75 anos de vida. Vida longa, o que traduz todo o empenho disponibilizado e o carinho nutrido por todos aqueles que o têm servido nas mais diversas vertentes. Porém, vida que perdurará pelos tempos vindouros, atento o sangue novo escorrido nas suas páginas e aquele outro que, nas retaguardas, vai desenvolvendo os trabalhos de arquitectura imprescindíveis à construção de cada edifício semanal.
Semanário de índole mormente regionalista, noticia o regional em frentes alargadas, ao mesmo tempo que tem sabido dilatar o seu âmbito, passo a passo, escolhendo e acolhendo na respectiva colaboração figuras cimeiras da vida social, económica e política, algumas delas oriundas dos mesmos torrões onde brota a cada semana, figuras autoras de registos cuja transversalidade é a característica. Pautando-se pela moral cristã, sem que, com tal, se poste moralista, prima pela abertura à opinião de quem com ele colabora, definindo, como expectável se faria na circunstância, que quem nele opina o faz por reflexão própria. Aqui e assim se posta aquele aludido espírito de abertura, por contraponto a um outro, censório.
Porque nascido e crescido em terras nordestinas, é natural que aí se haja implantado mais fortemente. Porque terras essas de migrantes e emigrantes, muitos foram os que, deslocados para paragens outras, tão distantes algumas, o levaram consigo, por via dele matando saudades dos lugares onde nasceram. Se os ventos lhes calassem as notícias, o Mensageiro lhas levaria. E, para quem está longe, aprazível se faz uma leitura lenta e atenta, saboreando as palavras, da primeira à última, uma a uma, propositadamente prolongando o prazer de sentir, recordados, o cheiro da terra e o quotidiano das gentes para trás deixadas. 
Para se escrever numa publicação como esta, ou outra, é preciso senti-la e amá-la, sentir como ela se constrói e reconstrói, dia a dia, semana a semana. Aproximadamente meio século atrás, era eu, na minha qualidade de aluno, editor do Esperança, que a Escola do Magistério de Bragança publicava regularmente e, como tal, dirigia-me vezes diversas à gráfica, a fim de rever o que viria a ser dado à estampa. Acontece que na mesma gráfica era composto, igualmente, o Mensageiro, que, na circunstância, tinha o prazer e o privilégio de ler mesmo antes de convertido em papel. Desta forma se proporcionou o primeiro contacto com ele e com a azáfama dos que o iam produzindo, letra a letra, palavra a palavra. Curiosamente, foi por essa altura que a oficina gráfica se apetrechou com uma máquina revolucionária para a época, um linótipo, que viria a encolher o tempo e o trabalho de composição. Acabado o curso, escrevi os meus primeiros artigos, com autorização superior, como era, então, imperativo. Após um extenso interregno, voltei, e é enorme o prazer que sinto ao desafiar o computador para, comigo, alinhar mais um escrito, e mais um, e mais um...
Escrevo segundo a antiga ortografia.