Ricardo Mota

Dos Confins do Tempo…

Gosto de olhar, observar para além do ver é paixão que transporto agarrado às peles que me vestem o ser. Na infância, no Felgueiras meu berço, todos fabricávamos a torcida que haveria de fazer girar o pião, objecto mágico que enchia os bolsos da rapaziada. Um carrinho de linhas, gasto e de madeira, quatro pregos e um arame, eis os custos de uma máquina de produção de torcidas. A linha eram os nagalhos ou atilhos que já ninguém queria, atados num emaranhado de nós.


Rua da Augusta Figura do Rei...

Pestanejei, fez-se clic na memória, prodigioso, deixei-me ir neste veículo intemporal, autónomo, com a força da natureza, a custo zero, apenas o da mente. E lá vou, no faz de conta, dentro do iate Britânia, de Setúbal ao Cais das Colunas, em Lisboa, tal como o fez a Rainha Isabel II de Inglaterra, há cerca de sessenta anos, em 18 de Fevereiro de 1957, com 31 anos de idade e já cinco de reinado. Existem várias portas de entrada na capital, como as de Benfica, mas esta, a da água, é sem dúvida a mais nobre.