REFORMAR O FUTURO

REFORMAR O FUTURO
 
 
 
 
Talvez seja pouco expressivo o título deste artigo, mas espero que fique mais clarificado pelos comentários seguintes. A Europa a que pertencemos, o globalismo que nos envolve, e a circunstância em que vivemos, tudo vem a traduzir-se numa época de sacrifícios e incertezas que fazem descrer nos futuros anunciados depois da queda do Muro de Berlim, e isso obriga a Reformar o imaginado Futuro que constou dos programas europeus e que raramente são cumpridos. Por isso, todas as sociedades civis europeias, incluindo a portuguesa, estão sob a ameaça de o populismo viu substituir os programas seriamente elaborados e discutidos. O sul europeu vê multiplicar esta situação, que também nos abrange. É por isso que, não podendo ignorar a experiência tantas vezes vivida ao longo da história, devemos estar atentos a não deixar substituir o sentido de responsabilidade pública e já suficientemente alarmante pela distância que demasiadas vezes mantem em relação à situação difícil que vivem as populações, o que nos leva a valorizar a administração local, que, com exceções sempre inevitáveis, está próxima das necessidades das pessoas, intervém para melhorar as deficiências alarmantes não com teorias mal lembradas, mas partindo da experiência atentamente recolhida. Por isso, não podemos deixar de lembrar o facto de que a opinião publicada esteja frequentemente tão distante das dificuldades dessas administrações, e parece-me de por em relevo a questão da interioridade, de que a administração de Bragança iniciou o debate, não com populismo, mas organizando o estudo em busca de soluções com força suficiente para serem acolhidas, designadamente, pela Constituição. É uma luta demorada porque exige primeiro as bases do saber, mas é uma iniciativa de que o Município se deve orgulhar, e que merece a atenção, e até seguimento, dos que se ocupam da reforma administrativa, ou mais largamente da reforma do Estado, que tarda a chegar aos factos. Os meios de comunicação prestarão um serviço útil para sair da crise, até de esperança, em que vivemos, cooperando para uma reformulação do futuro procurado, que o mesmo é dizer de um conceito estratégico nacional que falta. A iniciativa do Município de Bragança, apoiado no saber e entusiasmo desinteressado de administradores experientes, e professores universitários, nem todos originários da região, e todos discretos no comportamento desinteressado, deveria contrariar o alheamento dos que todavia sabem as consequências do despovoamento, do empobrecimento, do desaparecimento das questões sociais devidas, do futuro que, os que podem, vão procurar, sem pensar em regresso, no estrangeiro. Esta busca de um conceito rigoroso de interioridade, com sentido de estratégia do saber como ponto de partida indispensável para existir uma estratégia de Estado, é um serviço que o Município de Bragança está a prestar à comunidade nacional, e não apenas à região.