Sufoco…

A Esperança andou no ar, a união percorreu as ruas, o desassossego saiu das trevas e dos labirintos interiores de todos nós e emigrou, pensávamos que para todo o sempre, e sentimos o quebrar das grilhetas que nos amarravam ao isolamento internacional. O indeciso Caetano, prisioneiro de passado do qual se não conseguiu libertar, foi obrigado a delegar o poder nas mãos do futuro.
Mas a miragem do futuro haveria de nos atraiçoar, são demais as facadas na equidade, as injustiças sociais agigantaram-se ao longo do percurso democrático, os grupos económicos que sustentaram o homem da ditadura, vencido por simples cadeira, reagruparam-se com a super ajuda de políticos corruptos oriundos de Março contra Abril e conseguiram, com a paciência maquiavélica dos que nunca perdoaram, conseguiram trazer-nos até aqui: esvaziamento do sector produtivo, destruição da frota pesqueira, implosão agrícola e instalação no sistema financeiro de uma gigantesca e bem oleada roleta russa minada por trafulhas irresponsáveis e de costas bem protegidas pelos que acreditávamos estarem do nosso lado.
No caldeirão de quarenta anos democráticos ferveram utópicas ilusões que levaram ao fosso desigual. A união desuniu-se com as viscerais lutas corporativas numa dança de umbigos inchados de soberba. Chegamos a uma encruzilhada sem bússola, somos os pais que Abril gerou, autores a responsabilizar pelo destino da Pátria, esmagamos o povo e colocamos no alto os do costume, aqueles que olharam sempre de cima para baixo. Mas fizemos mais, cortamos as asas de voo aos nossos próprios filhos, retiramos a paz de fim ciclo aos nossos pais e, muitos de nós, corporativistas enraivecidos, massacramo-nos apenas com as percas dos direitos adquiridos conseguidos á custa da desigualdade social.
O caminho para o renascer é estreito. Temos um Costa não Seguro do desígnio nacional e um ninho de esquerda com filhotes de pais que nunca quiseram fazer parte da governação.
É agora ou nunca. Chegou a hora. Elevemos o moral mostrando outras formas de salvação sem que o esforço seja sempre á custa dos mesmos.
A evolução humana relembra-nos a direcção, em frente. Esta foi a sublime mensagem de Stanley Kubrick no histórico filme 2001 Odisseia no Espaço. Foram ultrapassados os limites pois o cérebro da nave, o computador de nome Hal, tinha sentimentos. Este nome, HAL, foi escolhido por similitude com o gigante informático da altura, IBM. Cada letra de HAL é a imediatamente anterior à da sigla IBM, parece aposta no passado, uma não verdade.
Sempre com a premissa de que os filhotes esquerdinos arregacem as mangas se necessário for e porque não comungo da mensagem de andar para trás espero que Costa retire das entranhas os ideais republicanos da justiça social e nos tire deste Sufoco…