Editorial

António Gonçalves Rodrigues // Qui, 2016-09-01 18:30

Exemplos, os bons e os maus

Texto

O Ser Humano aprende por repetição. Fazemos o que vemos fazer. Mas os exemplos são como os bancos, há os bons e os maus.
Ao longo do verão proliferam as festas e romarias. Em muitos casos, apesar do esforço dos párocos, nem sempre as comissões de festas têm a capacidade de harmonizar as romarias com as festividades religiosas.
Mas, em Vilas Boas, Vila Flor, as boas práticas são um daqueles exemplos que deve ser observado e seguido.
Não só de agora mas desde há anos que a festa de N. Sra. da Assunção é um exemplo da forma como devem decorrer as romarias na diocese. De tal forma que o reconhecimento chegou e, desde 24 de julho, aquele é, por decreto de D. José Cordeiro, o (para já) único santuário diocesano. Um local de peregrinação que extravasou as fronteiras da diocese e que chega cada vez mais longe.
Um daqueles exemplos que não custa seguir.
Noutro âmbito, também com os maus exemplos se deveria aprender. Todos os anos, por esta altura, se fazem contas ao que arde. Mal chegam as chuvas de outono, a prevenção passa para aquelas tarefas a fazer, algures, no futuro, voltando, invariavelmente, à ordem do dia, quando regressa o calor do verão. Todos os anos as tvs pululam de imagens do fogo, do rebuliço dos bombeiros e do desespero das populações.
O fogo é um grande negócio. Mais do que mito, são recorrentes os relatos de aparatos incendiários largados de aviões ou encontrados na floresta, para além daquele estranho facto  que o próprio Secretário de Estado da Administração Interna, Jorge Gomes, já denunciou: uma grande fatia dos incêndios começa de noite. Isso exclui, à partida, a intensidade dos raios solares, apontando para a mão humana. Desde o setor da madeira à pastorícia, passando pelos milhões que se gastam em combate (dos aviões às próprias mangueiras dos bombeiros, de tal forma que este ano só são trocadas mediante a entrega das respetivas agulhetas), muitas empresas e indivíduos lucram com a desgraça alheia.
Por cá, o normal é o fogo surgir à medida que as segadas vão terminando. Começam no sul do distrito, por exemplo em Moncorvo (onde é preciso limpar mato para novas plantações) ou Freixo (onde há interesses madeireiros) e vão subindo progressivamente. Todos os anos. Todos sabem.
Com setembro a duas semanas de distância, temo que o flagelo que tem afetado o país ainda se venha a fazer sentir por estes lados.
Se o mal é conhecido e o diagnóstico está feito, porque não se tomam as medidas necessárias para o minimizar? Ou com o mau exemplo que vamos tendo todos os anos não somos capazes de aprender?