Não queremos cá os turistas estrangeiros

Não, o texto que se segue não é nenhum manifesto de expulsão de estrangeiros.
Antes pelo contrário.
Numa altura em que cresce o número de turistas a quererem  visitar o nosso país, continuamos a dar tiros nos pés.
O problema não é de agora. Enquanto (alguns) empresários vão fazendo esforços no sentido de adequar a oferta de serviços de qualidade à procura crescente, os nossos governantes insistem em complicar o que deveria ser simples.
Há poucos dias, cruzei-me com um casal de turistas espanhóis que, em Bragança, tentava pagar as portagens que atravessaram no nosso país. Já se tinham dirigido a várias repartições até que acertaram, finalmente, com os CTT, mas também aí não conseguiram resolver o problema. É que deveriam lá ter ido antes de cruzar os pórticos das antigas SCUT, não depois.
Ou seja, também não foi desta que conseguiram pagar um serviço ao Estado português.
O problema tem estado a aumentar de tom entre os turistas estrangeiros, cada vez mais indignados com a tarefa complicada de pagamento de portagens.
A última imagem costuma ser a mais impactante e que a mais tempo perdura na memória.
Ora, a última imagem que milhares de turistas têm levado de Portugal é de uma confusão tremenda para poderem fazer face, infrutiferamente, a uma obrigação, com muitos a desistirem de pagar a taxa devida (que até se disponibilizavam a fazer).
Assim, para além de não arrecadar uma receita importante, ainda se consegue manchar a imagem de todo um páis.
Já houve mais do que tempo para resolver a situação criada pelos novos pórticos, que parece que só contavam com utilizadores nacionais.
Já lá vão dois governos.
O que fica é mais uma queixa no livro de reclamações e uma queixa na polícia, se este casal de espanhóis cumprir o que ameaçava.
Como diria o Herman, não havia necessidade...

Mas nem tudo é mau. Por cá, Mirandela vai dando o exemplo nas festas da cidade, que voltaram a reunir uma multidão de gente. Em Bragança, a autarquia promoveu, pela primeira vez, uma festa de verão que reuniu milhares no centro da cidade, tanto tempo depois, e permitiu às lojas darem-se a conhecer, abrindo até às 2h00. Foi pena que nem todos tivessem aproveitado a benesse...
Também a União de Freguesias da cidade pôs o comboio turístico à disposição do... turismo.
Bem hajam.