A opinião de ...

Em Saúde, o tamanho... não é medida

Segundo Kristin-Anne Rutter é um erro grave tentar medir a qualidade dos serviços de saúde pelo tamanho dos hospitais ou sequer pelo número de camas disponíveis. No último século a esperança média de vida, quase duplicou e ainda há, tudo o indica, margem de crescimento. Se à longevidade se somarem os recentes e constantes avanços científicos, que têm vindo, paulatinamente, a transformar doenças agudas e fatais, em doenças crónicas e tratáveis, facilmente se percebe o porquê do grande acréscimo contínuo nas despesas de saúde. Esta espiral de despesa ficará insuportável para o erário público a curto prazo se não for encontrada uma forma de a controlar sem, com isso, diminuir o nível dos serviços aos utentes.
Um dos vetores com maior significado, na redução de custos, passará pela externalização dos cuidados de saúde, fora dos hospitais, dado o elevado custo do respetivo internamento, já que todos os espaços requerem o mesmo elevado nível de higienização e condicionamento ambiental.
Os ambientes urbanos e, crescentemente também os rurais, possuem já elevadas condições de salubridade e podem, com facilidade cumprir os requisitos mínimos necessários à maioria dos doentes atualmente internados nas unidades hospitalares, podendo ser instalados em Unidades de Cuidados Continuados, com menores exigências ou mesmo nas suas casas desde que lhes sejam asseguradas algumas condições, nomeadamente a capacidade de apoio especializado e, sobretudo, de monitorização adequada. Ora, este capítulo começa agora a conhecer desenvolvimentos vários e seguros que democratizam e facilitam o internamento extra-hospitalar.
O vertiginoso progresso da tecnologia eletrónica e de computação está a disponibilizar ferramentas e meios de análise e diagnóstico, poderosos e fiáveis incorporados em pequenos equipamentos de uso comum e diário: os smartphones. Os projetos de “a lab in a box” e, mais recentemente “a lab in a chip” demonstraram a possibilidade de realizar uma enorme bateria de exames e análises usando os sensores incorporados ou acopláveis aos modernos telemóveis e transmiti-los em tempo real para o centro hospitalar para ser devidamente tratado pela equipa de saúde.
É expectável que, num prazo relativamente curto, os hospitais sejam ocupados “apenas” com os casos mais graves, com as cirurgias e com algumas urgências mas também e sobretudo, com uma crescente equipa de técnicos de saúde altamente especializados, rodeados e auxiliados por equipamentos muito sofisticados no tratamento dos dados recebidos, continuamente dos doentes, independentemente de estarem próximos ou distantes.
Este novo paradigma traz benefícios para todos, para além do alívio do erário público. O acesso dos doentes aos melhores especialistas, aumenta, os profissionais de saúde ficam com melhor acesso às tecnologias mais atuais disponíveis, as deslocações às unidades de saúde, ganhando com isso os doentes, os familiares e, igualmente, o ambiente. A aposta recente das gigantes tecnológicas Amazon, Apple e Novartis, bem como a Lilly e Tencent, provam, se prova fosse necessária, que esse é o caminho do futuro.

Edição
3725