Mensageiro de Bragança: 75 anos ao serviço da região Resposta ao Padre Calado

No jantar do encerramento das comemorações dos 75 anos do Mensageiro de Bragança, o P. Calado Rodrigues, diretor do MB entre 2004 e 2010, afirmou-se difamado, sem, no entanto, identificar o difamador e a difamação.
No dia seguinte, porém, soube que, no fim do jantar, me identificara, junto de alguns presidentes de Câmara, como o difamador, em virtude de, no livro de que sou autor «Mensageiro de Bragança:75 anos ao serviço da região», ter classificado a sua gestão como um desaire editorial e financeiro.
 
1 - Na sequência desses factos, enviei-lhe um mail a desafiá-lo para um debate digno - como deve ser entre pessoas educadas e cultas -, com números e documentos, sobre a suposta difamação.
Como nunca recebi resposta, sinto-me na obrigação de esclarecer os presentes no referido jantar, bem como os leitores do livro.
 
2 – Sob o ponto de vista da historiografia, a função do historiador consiste em apurar os factos, analisá-los e relatá-los. Ora, o que escrevi no livro, a respeito da gestão mencionada, está devidamente comprovado pelos seguintes factos:
 
2.1 – Para lá de todo o equipamento informático e instalações adequadas deixados em herança, o próprio Inocêncio Pereira garantiu-me ter entregue uma conta com 150 mil euros, acrescidos duma outra conta com 500 mil euros, que entregou a D. António Montes Moreira, que, por sua vez, os entregou à Fundação MB.
Quando, porém, o Padre Calado se demitiu, em 2010, deixou uma dívida bancária a rondar os 140 mil €.  
 
2.2 – Um outro facto indesmentível é que, em 2008, o Pe. Calado converteu o «Mensageiro de Bragança» em «Mensageiro Notícias», estendendo-o até ao distrito vizinho de Vila Real, com custos de centenas de milhares de euros.
No entanto, passados apenas dois anos, esse projeto ruiu por terra e o próprio MB ficou à beira da morte, o que teria acontecido se ele não tivesse sido substituído.
 
3 – Para fundamentar a sua vitimização de ofendido, o P. Calado citou o Papa Francisco. Só que as palavras do Santo Padre foram descontextualizadas, truncadas e deturpadas, não se aplicando de forma alguma ao que vem no livro, porque, caso contrário, o Santo Padre seria pela negação da História e pela desculpabilização de tudo e de todos, o que seria um absurdo depois de todas as críticas que tem feito a algumas práticas da Cúria do Vaticano.
 
4 – Perante os factos atrás enunciados, não pode restar a mínima dúvida a nenhum historiador sério e isento de que a gestão do MB, entre 2004 e 2010, da responsabilidade do P. Calado Rodrigues, foi um verdadeiro desastre, de tal forma que qualquer tentativa de branqueamento, por muito imaginativa que ela seja, esbarra sempre na frieza e na objetividade dos números.
 
5 – Para lá do que disse no jantar, o P. Calado pediu a publicação, no MB, dum artigo seu sobre a misericórdia. «Sermões piedosos» qualquer um os pode fazer, mas viver o que se prega, já é mais difícil.
Em nome da misericórdia, e a pedido de colegas seus, desta vez não vou responder a esse artigo. Para o futuro, em nome da verdade e da justiça, não haverá misericórdia que me cale, até porque a misericórdia não pode ser um pretexto para o triunfo da mentira e da injustiça nem para o difamador se vitimizar como difamado.